Bolsonaro justifica cortes na Petrobras citando projetos sem patrocínio da estatal
Presidente Jair BolsonaroFoto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Mostra de Cinema de São Paulo, o Festival do Rio e o Anima Mundi são alguns dos eventos prejudicados com o corte de patrocínio
Entre eles, estão o longa-metragem "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", de 2014, que conta uma história de amor homossexual, e a performance "Macaquinhos", apresentada pela primeira vez em 2011 e criticada na internet por conter cenas de perscrutação anal.
Publicado originalmente no YouTube, o vídeo compartilhado por Bolsonaro no Facebook e no Twitter consiste na edição de uma matéria sobre o assunto veiculada pelo programa "Globo News em Pauta" na sexta-feira (19).
Além de inserir imagens dos projetos, alvos de polêmicas nos últimos anos, a montagem também subtrai da reportagem original uma entrevista com o cineasta Marco Audra sobre a importância dos incentivos fiscais para o mercado cinematográfico.
No texto que acompanha o vídeo nas redes, Bolsonaro escreve que seu governo determinou a revisão dos contratos vigentes e possibilidades futuras da Petrobras ligadas ao "setor que alguns dizem ser de cultura".
Além do longa e da performance, outros projetos sem patrocínio da Petrobras cujas imagens foram inseridas no vídeo são do filme "Lula, o Filho do Brasil", de 2009, que em sua abertura diz não ter feito uso de qualquer lei de incentivo -ele teve patrocínio direto da Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e outras 14 empresas- e da exposição "Queermuseu", cancelada pelo Santander Cultural em Porto Alegre em 2017 e realizada no ano seguinte no Parque Lage, no Rio de Janeiro, graças a um crowdfunding.
Também aparece na montagem uma fotografia de Laís Bodansky, diretora de cinema e atual responsável pela Spcine, com o ator Wagner Moura.Em comentário para a reportagem, Bodansky ressalta a necessidade do governo de dialogar com o setor e com a sociedade sobre as políticas públicas para o audiovisual e a economia criativa como um todo.
"Às vezes a gente confunde o que é público com o que é do governo, mas o público é nosso. Por isso, é importante que esse tipo de decisão seja conjunta, e não imposta", afirma, lembrando que o audiovisual beneficia indiretamente diversos outros campos econômicos, como hospedagem e alimentação.
A postagem de Jair Bolsonaro nas redes sociais vem na esteira do anúncio de que a Petrobras não renovará o apoio a 13 eventos culturais este ano, incluindo a Mostra de Cinema de São Paulo, o Festival do Rio e o Anima Mundi.
FolhaPE

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