Policiais interrompem reunião que planejava ato contra Bolsonaro em Manaus
Jair BolsonaroFoto: Flickr/ Palácio do Planalto
Os policiais questionaram alguns participantes sobre o protesto e disseram que agiam por ordem do Exército, segundo relatos de duas pessoas presentes
O incidente ocorreu na tarde desta terça-feira (23). Portando armas longas, os policiais questionaram alguns participantes sobre o protesto e disseram que agiam por ordem do Exército, segundo relatos de duas pessoas presentes. Após meia hora, o trio deixou o local em uma viatura da PRF.
Em nota enviada à Folha de S.Paulo, o Comando Militar da Amazônia (CMA) afirmou que a informação é "infundada" e "que desconhece a realização da suposta reunião, bem como não reconhece qualquer ordem oriunda de suas unidades para tal"."Cabe destacar que o Exército atua com base nos princípios da legalidade, estabilidade e legitimidade", conclui a nota.
"Na história do movimento sindical do Amazonas, em que um presidente visita o estado, é a primeira vez que agentes federais vêm para interromper uma reunião e tomar informações a respeito do que está ocorrendo nela", afirma a presidente do Sinteam, Ana Cristina Rodrigues, 53.
Uma das interrogadas, Rodrigues disse que os policiais perguntaram quem eram os líderes do protesto e quais as organizações envolvidas. "É muito preocupante, porque o nosso direito de expressar fica cerceado. Mas não estamos intimidados e vamos fazer nosso ato pacífico na quinta-feira", afirma a sindicalista.
Rodrigues diz que o ato será em defesa da Amazônia e da Zona Franca de Manaus. Os movimentos sociais presentes na reunião incluíam organizações de sem-teto, estudantes e pequenos agricultores, segundo ela, que fez algumas fotos dos policiais sem que eles percebessem.
"Eles entraram sem mandado na sede do sindicato dos professores", afirma o historiador Yann Evanovick, 29, coordenador da Frente Brasil Popular, que reúne entidades de esquerda como CUT, UNE e MST."Isso só foi visto nos momentos que antecederam a ditadura militar no Brasil", diz Evanovick, filiado ao PCdoB.
Procurada, a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça orientou a reportagem a procurar a PRF, que não respondeu aos pedidos de esclarecimento.A principal agenda de Bolsonaro em Manaus será a reunião do Conselho de Administração daSuperintendência da Zona Franca de Manaus (CAS). Ele virá acompanhado do ministro Paulo Guedes (Economia).

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