Recifenses vivem drama em Portugal após cruzeiro
Em meio a pandemia, passageiros de cruzeiro da Pullmantur não receberam assistência
Brasileiros foram ao consulado do País em Portugal para pedir ajudaFoto: Cortesia
Eles deixaram a Cidade à bordo do Cruzeiro Soberano, da Pullmantur, que faria escala em Mindelo (Cabo Verde) e em Tenerife (Espanha) antes de chegar em Portugal, o que estava previsto para acontecer no último domingo (15). Os problemas, no entanto, começaram já em Cabo Verde, quando a parada foi vetada. Eles conseguiram descer em Tenefire, mas, na sequência, os passageiros foram informados que não poderiam desembarcar em Lisboa, uma vez que o governo português havia proibido que navios estrangeiros atracassem. “Era para descer em Lisboa no domingo, mas na sexta (13) fomos avisados de uma mudança de rota para Cadiz (Espanha). Foi um desespero, o navio aumentou a velocidade, ficou balançando muito, em um ritmo frenético, muita gente passou mal, inclusive eu”, conta o policial e professor pernambucano Jairo Freitas, de 48 anos, que viajou com a esposa e dois casais de amigos.
Em Cadiz, os cerca de dois mil passageiros foram distribuídos em 55 ônibus para o trajeto até Lisboa. "Creio que a Pullmantur financiou os ônibus. Eram velhos, sem estrutura, sem sanitários, viajando pela madrugada, em atalhos no meio do mato, creio que para fugir da fiscalização. Pareciam clandestinos. A Pullmantur nitidamente queria se livrar da gente”, relata Jairo. "O agente da CVC que estava no navio era muito mal-educado, não tirava as dúvidas de ninguém. Estava ali só para vender pacotes nas cidades de parada. E o representante da Pullmantur que estava embarcado simplesmente sumiu e hoje posta fotos nas redes como se estivesse tudo uma maravilha”, continua ele, que conseguiu alugar um apartamento em Lisboa através de aplicativo e tem diária assegurada somente até sexta. “Muitos colegas que estavam no navio tiveram suas renovações em hotéis vetadas e ficariam literalmente na rua, então abrigamos conosco.”
Uma parte dos brasileiros no navio conseguiu retornar para o País através da companhia Cabo Verde Airlines. Jairo e grande parte dos recifenses, porém, tinham passagens marcadas para esta quarta-feira (18), pela empresa portuguesa TAP. Só que o voo com destino ao Recife faria uma parada na Ilha de Sal, em Cabo Verde, que fechou suas fronteiras e, por isso, a viagem acabou cancelada. A situação é a mesma do recifense Flávio Maux, de 60 anos, que está acompanhado da esposa, de 58. Segundo ele, não há mais voos diretos da TAP para o Recife. A opção mais próxima de remarcação foi para sexta-feira (20), com destino a Campinas, em São Paulo, mediante valores exorbitantes que chegam aos R$ 8 mil por pessoa. A TAP está operando com apenas três voos semanais para o Brasil.
“Estou muito nervoso, quase sem dinheiro, as diárias no hotel vão acabar, estamos sem seguro, o meu remédio para a pressão também está acabando. O aeroporto está um caos. A situação está desesperadora”, diz Flávio, relatando que todos estão bem de saúde e que não houve nenhum caso de Covid-19 entre os passageiros e tripulantes do Soberano.
"O meu sentimento aqui em Portugal é de incerteza e insegurança, pois a todo momento tudo muda. Porém, tenho família aqui e, em último caso, tenho onde ficar até as coisas melhorarem. Mas a situação de muitos brasileiros envolvidos é diferente e os mesmos não têm onde ficar. Hotéis e restaurantes vão fechar, ruas desertas, dinheiro acabando. Grupos de WhatsApp foram criados para unir todos os que estão na mesma situação, e-mails foram enviados para a embaixada, protestos realizados no local. Enfim, espero que os órgãos competentes tomem as devidas providências para poder resolver a situação de todos nós brasileiros”, disse, em desabafo, o cantor Dudu do Acordeon, também passageiro do cruzeiro Soberano.
Na noite desta quarta-feira (18), o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Gilson Machado, anunciou que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil acionou a empresa Azul para auxiliar no transporte dos brasileiros que enfrentam dificuldades para retornar de Portugal e do Peru. Segundo ele, as passagens serão vendidas ao preço de mercado, sem aumentos, e as viagens devem começar ainda nesta semana.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da CVC, que, em nota, disse estar "acompanhado de perto e atuado de forma ativa nas remarcações e embarques de passageiros para o retorno ao Brasil, independentemente do destino em que se encontram. Esse trabalho está sendo realizado em cooperação com as companhias parceiras, com o objetivo de atender nossos clientes com brevidade e segurança, considerando o cenário de reduções de voos internacionais e restrições de trânsito impostos por diversos governos ao redor do mundo.” Já a Pullmantur não tem escritório no Brasil, apenas na Espanha.
Por: Irce Falcão

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