Juiz da recuperação judicial afasta presidente do Conselho do Santa Cruz e nomeia interventor
Presidente do Conselho Deliberativo, Marino Abreu — Foto: Reprodução / TV Coral
Presidente da comissão da SAF, Eduardo Cavalcanti também é afastado por tempo indeterminado; medida, segundo o magistrado Arnóbio Amorim, se dá para "pacificar" o clube
O Tribunal de Justiça de Pernambuco determinou, na tarde desta sexta-feira, uma mudança significativa dentro do tabuleiro político do Santa Cruz. O juiz que conduz o processo de recuperação judicial do clube, Arnóbio Amorim Araújo Júnior, afastou por tempo indeterminado o presidente do Conselho Deliberativo tricolor, Marino Abreu, e o presidente da comissão da SAF, Eduardo Cavalcanti.
Na mesma decisão, o magistrado também nomeou um interventor, Ricardo Moura Alves de Paula, pelo prazo inicial de 60 dias, para exercer o cargo de presidente do Conselho Deliberativo, sucedendo Marino Abreu.
No texto em que o juiz Arnóbio Amorim defere a decisão, as medidas se dão para "estabilizar o clube neste momento de reestruturação e pacificação".
- Por esta razão, em sede de tutela de urgência, acolho em parte o pedido do devedor e afasto imediatamente, com fundamento no art. 64 da LRE, do Sr. Marino Abreu e Sr. Eduardo Cavalcanti dos cargos de Presidente do Conselho Deliberativo e Conselheiro e Presidente da Comissão da SAF, respectivamente, e nomeio, provisoriamente, pelo prazo inicial de 60 (sessenta) dias, sem prejuízo de nova prorrogação, o Sr. Ricardo Moura Alves de Paula para exercer o cargo de Presidente do Conselho Deliberativo, com o objetivo principal de cumprir as decisões assembleares anteriores pendentes de implementação há mais de 01 ano e dar estabilidade ao clube neste momento de reestruturação e pacificação, devendo no prazo de até 30 (trinta) dias apresentar um relatório dos trabalhos desempenhados e eventuais sugestões para estabilização da Presidência do Conselho Deliberativo.
Procurados pela reportagem, Eduardo Cavalcanti e Marino Abreu ainda não deram retorno. O canal segue aberto.
Mais pontos da defesa
Na liminar deferida, o magistrado retoma os embates entre o conselho deliberativo e o executivo do Santa Cruz no último ano, sobretudo em relação à SAF e a Assembleia Geral realizada no dia 8 de maio de 2022, que delegou, através de votação, plenos poderes ao presidente Antônio Luiz Neto deliberar, ao seu "juízo de conveniência", sobre a constituição da Sociedade Anônima do Futebol.
Ainda na esteira desta fratura política, há outras novidades na decisão judicial.
Arnóbio cancela a convocação da Assembleia do dia 17 de junho, que decidiria por devolver aos sócios o direito de votar pela participação em uma futura formação de SAF, e determina o cumprimento integral das deliberações da AGE de 08 de maio, incluindo, também, o acréscimo de 300 conselheiros.
Eles, em tese, só entrariam na próxima legislatura, uma vez que o mandato tampão, complementar à renúncia de Joaquim Bezerra, se encerra no final deste ano.
Quem é Ricardo de Paula?
Empresário e engenheiro em Pernambuco, Ricardo de Paula é aliado político de Antônio Luiz Neto. De Paula presidiu a comissão patrimonial do Santa Cruz na gestão de Constantino Júnior, entre os anos de 2017 a 2020, e deixou o clube após a oposição, capitaneada pelo Pró-Santa, vencer o pleito em 2021.
No entanto, com as saídas em massa de membros da diretoria e a pressão pela falta de resultados, que culminou na queda para a Série D, Ricardo participou no processo de transição do mandato de Joaquim Bezerra para Antônio Luiz Neto, voltando a colaborar com patrimonial.
Seguem partes da decisão judicial
"Em sua narrativa, o Santa Cruz afirma que uma série de medidas abusivas estariam sendo praticadas por alguns membros do Conselho Deliberativo, relatando, dentre elas: (i) Estarem sendo ignoradas as deliberações assembleares de 08/05/2022, na qual foram eleitos 300 novos Conselheiros e se deliberou a recriação da Comissão Patrimonial do Clube; (ii) o Presidente do Conselho Deliberativo tem se colocado contrário ao Plano de Recuperação Judicial apresentado pelo Clube, a captação de investidores, bem como ao trabalho realizado pelos assessores jurídicos e financeiros contratados pelo Executivo, sendo contrário a toda e qualquer medida de reestruturação do Clube que parta ou passe pelo Poder Executivo.
Nesse contexto, o Santa Cruz aduz que dois eventos importantes podem colocar em risco concreto os interesses da estratégia de reestruturação do Clube, que seriam a publicação de um novo edital com o objetivo de revisitar deliberações assembleares anteriores, bem como os diversos atos inverídicos que estariam sendo publicados por pessoas do Conselho Deliberativo e que poderiam colocar em risco todas as negociações que o Clube se encontra desenvolvendo com potenciais investidores".
Por Camila Sousa

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