CPI das ONGs aprova convocação do presidente da Natura
Foto: Pedro França/Agência Senado
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura as ações das ONGs na Amazônia aprovou, nesta terça-feira (11/7), a convocação do presidente da Natura, João Paulo Brotto Gonçalves, para prestar esclarecimentos a respeito de supostas contratações irregulares de indígenas em suas produções. A oitiva ainda não teve a data definida e deve ser marcada após o recesso parlamentar.
“Acabamos de aprovar, na CPI das ONGs, os requerimentos de convocação da presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental, Déborah de Magalhães Lins e do presidente da Natura, João Paulo Brotto Gonçalves Pereira”, escreveu o presidente do colegiado, senador Plínio Valério (PSDB-AM), via Twitter.
Acabamos de aprovar, na CPI das ONGs, os requerimentos de convocação da presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental, Déborah de Magalhães Lins e do presidente da Natura, João Paulo Brotto Gonçalves Pereira. #CPIdasONGs
Limitando operações
Segundo a CPI, a empresa de cosméticos estaria limitando as operações que envolvem a coleta de copaíba, andiroba e outros produtos à Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona), não estimulando outras organizações, nem mesmo aquelas compostas por indígenas.
A iniciativa também estaria contratando diversas etnias de povos originários, porém, eles estariam sendo levados para colher as sementes, sob quaisquer condições climáticas e sem horário definido de trabalho. O pagamento aos indígenas contratados seria no valor de uma diária de R$ 3. O Correio entrou em contato com a cooperativa e aguarda resposta.
Foram aprovadas, ainda, o convite para Bruce Albert, antropólogo francês e fundador da ONG Comissão Pró-Yanomami; e Jailson Reis de Mesquita, Fundador do movimento garimpo é legal; além das convocações de Deborah de Magalhães Lins, presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental (ISA); e Benjamin Benzaquen Sicsu, presidente do Conselho Administrativo da Fundação Amazônia Sustentável.
Em nota enviada à reportagem, a Natura se posicionou sobre os apontamentos. Confira na íntegra:
"A Natura mantém relacionamento comercial com a Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona) desde 2019 para o fornecimento de amêndoas secas de andiroba. O trabalho de coleta da matéria-prima envolve cerca de 70 famílias e ocorre na área de manejo florestal comunitário da Flona do Tapajós, conforme previsto no Plano de Manejo da Unidade de Conservação, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Em 2022, o valor pago à Coomflona pelo quilo de matéria-prima foi aproximadamente 70% maior que o preço mínimo estipulado pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). A Natura também investe na capacitação e transferência de tecnologia para que as comunidades possam prosperar e fortalecer seus negócios, independentemente do contrato estabelecido com a empresa.
O relacionamento da Natura com comunidades fornecedoras é baseado no respeito às pessoas e à natureza, premissas fundamentais de nosso modelo de negócio na Amazônia há mais de 20 anos. Toda a cadeia produtiva da andiroba é certificada pela União para o Biocomércio Ético (UEBT – The Union for Ethical BioTrade), que avalia as medidas de conservação da biodiversidade, boas práticas de produção e o respeito aos direitos humanos, incluindo o compartilhamento justo e equitativo dos benefícios e condições seguras de trabalho para as comunidades de sua cadeia produtiva.
Correio Braziliense

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