Alepe discute proposta de privatização da Compesa nesta segunda
A Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Assembleia Legislativa promove audiência pública, nesta segunda-feira (14), às 9h, por solicitação do deputado João Paulo (PT), para discutir a proposta de privatização da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).
“A empresa tem recebido críticas, mas isso não justificaria a sua privatização. Pelo contrário, a luta é para que a Compesa seja priorizada e fortalecida com mais investimentos públicos visando melhorar as condições de atendimento e garantir a universalização do abastecimento de água e do saneamento básico para a população”, observa o deputado João Paulo.
“Além disso, a entrega desses serviços ao setor privado tem fracassado no Brasil e em vários países – não só pela má qualidade dos serviços e pelo aumento das tarifas, como pela falta de investimento e de compromisso dessas empresas para ampliar seu alcance de cobertura, especialmente para os bairros mais pobres”, complementa.
Conforme estudo das Nações Unidas, nos últimos 15 anos houve ao menos 180 casos de reestatização do fornecimento de água e esgotamento sanitário em 35 países, em cidades como Paris (França), Berlim (Alemanha), Buenos Aires (Argentina), Budapeste (Hungria), La Paz (Bolívia) e Maputo (Moçambique). No Brasil, Tocantins e Manaus são exemplos de gestão privada que não deram certo e passaram a ter maiores valores de tarifas e os piores indicadores de cobertura de serviços de água e esgoto do país, segundo o relatório do Governo Federal. O Rio de Janeiro é outro exemplo ruim. Lá, com a privatização, o percentual de esgoto tratado caiu 7% entre 2020 e 2021, de acordo com o Sindicato dos Urbanitários, e em Alagoas também houve aumento das tarifas e do número de reclamações pelos serviços.
“A Compesa e os governos de Pernambuco sempre se posicionaram contra a privatização, cuja lógica é a busca do maior lucro sem quaisquer garantias de que áreas mais pobres, como as comunidades rurais, periferias dos centros urbanos, municípios menores e distantes de fontes de água, sejam de fato atendidas. A privatização da Compesa pode provocar mais desigualdade regional e social”, pontua João Paulo.
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