‘Não poderia me importar menos’, diz Trump sobre Lula ao destacar sua indiferença
Presidente dos EUA diz que não pensa no brasileiro e que "está tudo bem" Lula ser “muito volátil”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu nesta semana uma longa entrevista ao programa Axios Show, produção jornalística do site Axios conduzida pelo jornalista Marc Caputo. Em uma conversa de cerca de 45 minutos, Trump abordou temas que vão da guerra entre Israel e Irã às relações internacionais, inteligência artificial, imigração, economia e o papel do poder presidencial.
Foi nesse contexto que surgiu uma breve referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao comentar lideranças internacionais, Trump mencionou o Brasil e fez uma avaliação pouco lisonjeira do chefe de Estado brasileiro. O trecho, que passou a circular nas redes sociais e em grupos de mensagens, ocorreu durante uma troca direta com o entrevistador Marc Caputo.
Trump afirmou:
“Eu assisti ao Brasil, o líder que eu conheço um pouco. Ele é uma pessoa muito volátil.”
Caputo então observou:
“Você não é fã de Lula, se não me engano.”
Trump respondeu:
“Eu não penso nele, para ser honesto com você. Eu realmente não penso nele. Não poderia me importar menos.”
E completou:
“Mas ele é um tipo diferente de pessoa agora. Muito volátil. Eu assisti enquanto ele fazia um discurso. Foi muito volátil e está tudo bem.”
As declarações surgem em um momento de tensão política entre Washington e Brasília. Nos últimos dias, Lula afirmou publicamente que Trump deveria evitar qualquer interferência no processo eleitoral brasileiro de 2026, reforçando a defesa da soberania nacional e da independência das instituições brasileiras.
A entrevista foi conduzida por Marc Caputo, um dos jornalistas políticos mais conhecidos dos Estados Unidos. Especializado na cobertura de campanhas presidenciais e da Casa Branca, Caputo trabalhou por anos no Politico antes de se transferir para o Axios, onde atualmente atua como ppcorrespondente e apresentador. Reconhecido por seu acesso privilegiado aos bastidores do Partido Republicano e do universo político de Trump, ele se tornou um dos principais nomes do jornalismo político norte-americano.
O Axios, por sua vez, é um dos veículos digitais mais influentes dos Estados Unidos. Fundado em 2017 pelos jornalistas Jim VandeHei, Mike Allen e Roy Schwartz — todos com passagem pelo Politico —, o site ganhou notoriedade por seu modelo de notícias objetivas, com foco em política, economia, tecnologia e relações internacionais. Atualmente, é considerado uma das publicações mais acompanhadas por autoridades, empresários e formadores de opinião em Washington.
Embora a repercussão no Brasil tenha se concentrado nas referências a Lula, o conteúdo principal da entrevista esteve voltado para temas de política externa. Trump falou longamente sobre o acordo envolvendo o Irã, comentou sua relação com Israel, discutiu inteligência artificial, tratou da política para Cuba e Venezuela e voltou a defender uma visão ampla dos poderes presidenciais. Em um dos momentos mais comentados da conversa, afirmou acreditar que, após os recentes acontecimentos internacionais, ainda vê poucos limites para a atuação do presidente dos Estados Unidos.
A menção ao presidente brasileiro ocupou apenas uma pequena parte da entrevista, mas acabou atraindo atenção especial por ocorrer em meio a uma relação diplomática marcada por divergências políticas e ideológicas entre os dois governos.
@felipevieirajornalista
