Sob pressão, Quirino decepciona como camisa 9 do Santa Cruz e vira alvo da torcida
Quatro gols, pouca regularidade: o momento de Quirino no Santa Cruz
Contratado para ser a referência ofensiva e dono da camisa 9 do Santa Cruz, Quirino ainda não correspondeu à expectativa criada em torno de seu nome. O atacante, que chegou com status de principal reforço do setor ofensivo, tem acumulado críticas da torcida coral após um desempenho considerado abaixo do esperado no Campeonato Pernambucano.
Os números, à primeira vista, podem até sugerir algum protagonismo: quatro gols e a vice-artilharia da equipe no Estadual. No entanto, a estatística esconde um problema evidente. Quirino marcou apenas em dois dos 10 jogos disputados — um gol contra o Decisão e três diante do Jaguar. Ou seja, produção concentrada e pouca regularidade.
Mais do que a frieza dos números, pesa contra o centroavante a falta de efetividade. Quirino se movimenta, sai da área, tenta participar da construção, mas falha no que se espera de um centroavante: decidir. A principal crítica vinda das arquibancadas é direta, muita correria e pouca conclusão.
O episódio que simboliza a fase aconteceu no Clássico das Multudões contra o Sport. Logo nos primeiros segundos do segundo tempo, com o placar empatado, o atacante recebeu passe preciso de Willian Júnior e, livre, desperdiçou uma oportunidade clara. O lance mudou a relação com parte da torcida. A partir dali, as vaias e cobranças se tornaram frequentes.
“O Quirino é um jogador muito experiente. Fez uma ótima temporada no ano passado. Acredito que ele possa dar a volta por cima e reconquistar a torcida. No primeiro jogo, quando ele fez o gol, a torcida já tinha feito música para ele, apoiava. Ele perdeu um gol no clássico, ai agora a torcida está no pé dele. Cabe ao profissional ter tranquilidade e dar a volta por cima”, disse o técnico Fábio Cortez.
No clássico diante do Náutico, Quirino chegou a estufar as redes após receber excelente enfiada de bola de Willian Júnior, arrancar em profundidade e finalizar com precisão, mesmo quase caído, na saída de Muriel. O lance, que poderia abrir o placar, acabou anulado por impedimento, confirmado pelo VAR após sinalização da assistente. Apesar disso, o atacante foi alvo de críticas da torcida ao longo da partida e deixou o campo sob vaias no momento de sua substituição.
A camisa 9 do Santa Cruz carrega peso histórico de grandes goleadores e exige mais do que movimentação. Exige frieza, precisão e poder de decisão. Até aqui, Quirino tem ficado devendo justamente no quesito mais importante para um centroavante.
Paulo Mota

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