Morre Luiz Carlos Barreto, produtor lendário do cinema brasileiro, aos 98 anos
Realizador assinou a produção de clássicos do Cinema Novo, como 'Terra em Transe' e 'Vidas Secas', sucessos de bilheteria como 'Dona Flor e Seus Dois Maridos' e indicados ao Oscar como 'O Quatrilho' e 'O Que é Isso, Companheiro?'
Morreu nesta quarta-feira (22) um dos nomes mais importantes da história audiovisual brasileira, o produtor cearense Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos. Familiares confirmaram o falecimento do lendário realizador, que estava internado no Hospital Copa Star, Rio de Janeiro. Ele tratava de uma infecção pulmonar ocasionada por uma pneumonia.
Ao lado da esposa, Lucy Barreto, com quem foi casado por mais de 70 anos, ele fundou a LC Barreto Produções Cinematográficas e assinou mais de seis décadas de projetos dedicados ao cinema brasileiro.
Barretão, como também era chamado, era jornalista de profissão, atuando como repórter na Revista Cruzeiro entre os anos 1950 e 1960. Em 1962, ele já estreou produzindo e escrevendo um dos grandes sucessos brasileiros daquela década: o filme "Assalto ao Trem Pagador", que contou com a direção de Roberto Farias.
Durante o Cinema Novo, o mais famoso e influente movimento do cinema brasileiro, ele foi responsável por produzir obras seminais, como os clássicos "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro", de Glauber Rocha, e "O Padre e a Moça", de Joaquim Pedro de Andrade.
Em "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos, e "Terra em Transe", de Glauber, Luiz Carlos Barreto foi não apenas produtor como também diretor de fotografia, estabelecendo um novo paradigma visual para o movimento e influenciando gerações de cineastas.
Na década de 1990, o produtor lançou dois dos seis únicos filmes brasileiros indicados ao Oscar na categoria de Melhor Filme Internacional: "O Quatrilho", do saudoso Fábio Barreto, e "O Que É Isso, Companheiro?", de Bruno Barreto (ambos seus filhos).
Entre as outras produções de sucesso de Barreto estão os icônicos "Bye Bye Brasil", de Cacá Diegues, "A Dama do Lotação", de Neville D'Almeida, "Memórias do Cárcere", de Nelson Pereira dos Santos, e "O Caminho das Nuvens", de Vicente Amorim.
André Guerra

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