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segunda-feira, 12 de maio de 2014

13 ANOS DO ASSASSINATO

O tempo não apaga

Cova em que Daniel foi enterrado não tem identificação

Treze anos depois da barbárie no túnel Chico Science, o assassino de Daniel Ramos, que nunca foi identificado, continua solto


Sete corpos já foram enterrados na cova em que Daniel Ramos foi colocado no dia 19 de março de 2001. A pedra, cravada no chão, não possuiu nome que identifique o morto. O inquérito policial, até então, anda esquecido. E o assassino, à solta. Parece que nada aconteceu na vida do torcedor do Sport, que traz em seu obituário hemorragia cerebral decorrente de ferimentos como causa da morte. No cemitério, a cova situada na quadra 4-5-12 abrigou o corpo do adolescente por dois anos e um dia. A família optou em não resgatar os restos mortais. Sendo assim, foi parar em um ossuário coletivo. “Minha vó achou melhor assim. A gente não iria trazer ele de volta mesmo”, comentou Rosa.
A menos de quinhentos metros dali (na catacumba ala sul 1107), foi sepultada Aderita Ramos, mãe de Daniel, no dia 22 de agosto de 2004. Depois do período permitido pelo cemitério, a ossada de Aderita se juntou à do filho mais velho. Os familiares e vizinhos preferiram mantê-los vivos na memória.
Janalice da Conceição Reis, de 34 anos, e Sandra Maria da Silva Barros, 44, lembram bem das duas tragédias envolvendo a família Ramos Silva. “O enterro de Daniel foi um desespero só. Nunca vou me esquecer disso. Ele foi enterrado no dia do meu aniversário. Era um menino bom”, relembra Janalice.
A precoce morte de Nerita ainda é lembrada com pesar. Ela era muito querida na comunidade e conhecida por ser uma mulher de fibra. Não negava um dia de serviço a ninguém. O mesmo empenho que tinha trabalhando na cozinha dos outros, mantinha no beco onde morou. “Ela era muito organizada. Esse beco aqui era um brinco. A gente não reconhecia ela quando passou a beber todos os dias. No dia em que se foi, ela pediu para minha mãe fazer cuscuz. Depois que se alimentou, deu o abraço apertado na minha mãe”, completou Janalice, que conheceu Daniel quando ele tinha dois anos de idade.
Saiba mais
30
dias é o prazo que a polícia tem para encerrar o inquérito quando há um suspeito (podendo ser prorrogado por mais 30)
20
anos é o prazo para prescrever o crime de homícidio
13
anos é o tempo da morte de Daniel Ramos da Silva


Diario de Pernambuco

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