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segunda-feira, 12 de maio de 2014

LEMBRANÇA ATÉ HOJE

A saudade de Vóva

Rosângela Ramos ainda guarda o retrato do sobrinho com muito carinho

Rosângela Ramos sofre até hoje pela morte de Daniel


Rosângela Ramos, 50 anos, sofre até hoje. Mora vizinha a casa que ainda pertence a Aderita, sua irmã caçula. Se mostra perplexa diante de tanta violência. Ela não compreende como alguém pode ir a um jogo de futebol e não retornar para casa. E lembra, exatamente, do fatídico dia em que Daniel saiu para acompanhar mais um clássico entre Sport e Náutico.
“Até parece que não era para ele ir naquele dia. Nem dinheiro para o ingresso tinha. Vendeu uma calça branca, por R$ 15 a minha filha para poder ir ao jogo. Ele era louco pelo Sport”, conta Rosa, que era tratada carinhosamente pelo sobrinho pelo apelido ‘Vóva”. “Ele chegou a voltar para casa quando estava no meio do caminho porque o boné caiu na lama. Retornou, lavou e foi embora”.
Já no começo da noite daquele 18 de março, Rosa, Adarita e outros vizinhos jogavam baralho quando três dos amigos de Daniel voltaram para casa assustados. “Sabia que tinha acontecido algo de errado. Fui logo perguntando o que havia acontecido com Daniel. Eles disseram que ele levou um tiro de raspão e foi socorrido. Depois veio a notícia de que ele tinha morrido. Não aguentei ir no hospital. Fui só para o enterro. Até hoje sinto mais falta dele do que da minha própria mãe”, relata Rosa.
Justiça divina
Se tivesse a oportunidade de ficar frente a frente com o assassino do sobrinho, ela revelou que perguntaria-lhe: “O que você ganhou com isso?”. Logo em seguida diz que prefere esperar na justiça divina. “Ela não falha”, completa.
A família não foi atrás de uma resposta da polícia. Um delegado esteve na casa da irmã na noite em que Daniel foi sepultado. “Ele disse que o criminoso não ficaria impune. Que eles iriam pegá-los. Mas até hoje nada”.


Diario de Pernambuco

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