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domingo, 14 de setembro de 2025

DENÚNCIA

"Tentaram nos calar esse tempo todo", diz mãe de bebê morto por suposto erro médico

Pais de João Miguel denunciam possível erro médico (Foto: Reprodução/Instagram)

João Miguel, de 1 ano e 10 meses, morreu com perfurações no pulmão após a colocação de um acesso central para tratar de uma pneumonia


Mãe do bebê João Miguel, de apenas 1 ano e 10 meses, morto com perfurações no pulmão causadas por um suposto erro médico, a auxiliar administrativa Thais Paulino declarou ao Diario de Pernambuco neste sábado (13) que teria sido enganada sucessivas vezes pela Unimed Recife, no que seria uma tentativa do hospital de abafar o caso.

Segundo Thais, ela e seu marido, Gidson Alves, que trabalhava como porteiro da Unimed, chegaram a fazer reuniões com a empresa para reivindicar a demissão dos responsáveis pelo suposto erro durante o procedimento para colocar um acesso central em João Miguel, que foi internado para tratar de uma pneumonia.

A mãe da vítima afirmou que a Unimed disse que investigaria o caso e se reuniria com todos os envolvidos no tratamento de João Miguel. Ela relatou que o hospital informava datas para o andamento das investigações internas, mas não parecia chegar a conclusões. Thais acredita que sua família estava sendo “enrolada”.

Passados todos os prazos, a Unimed Recife informou à família que a médica responsável pela intervenção cirúrgica em João Miguel havia sido demitida. Os pais afirmam, no entanto, que o hospital mentiu, e a profissional ainda é parte dos seus quadros.

“O que queríamos é que demitissem a médica. Eles disseram que iriam fazer reuniões para averiguar o que tinha acontecido, chamar todos os envolvidos. E foram nos dando datas, comendo nosso tempo. Só fizeram nos enrolar e, no final, disseram que tinham demitido a médica, mas soubemos que ela ainda estava atuando lá”, relatou Thais.

Ela diz que foi apenas depois de ser enganada que resolveu expor o caso na mídia e acionar as autoridades. O episódio também motivou Gidson, que continuou trabalhando na Unimed Recife após o falecimento do seu filho, a pedir demissão. Gidson era porteiro da unidade de saúde em que João Miguel veio a óbito, mas chegou a ser transferido antes de se desligar.

“O que a Unimed prometeu foi nos dar todo suporte, tentar achar o culpado, averiguar o que aconteceu, e no final não fizeram nada. O que a gente espera é que quem errou seja punido. Queremos justiça, e é um sentimento de revolta por tentarem nos calar esse tempo todo. E só agora conseguimos expor tudo isso. Nos tiraram o nosso bem maior, a nossa felicidade”, disse a mãe.

Procedimentos legais

O advogado da família, Ricardo Rodrigues, afirmou que eles solicitaram a abertura de uma sindicância junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (CREMEPE) para apurar a conduta dos profissionais envolvidos no caso. O pedido foi feito no final do mês de julho, mas o procedimento ainda não foi instaurado.

Ele disse, ainda, que acompanhou os pais de João Miguel na abertura de um boletim de ocorrências na Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA). Segundo o advogado, pessoas relacionadas ao caso já foram intimadas a prestar depoimento.

O próximo objetivo é buscar reparações à família. “Nosso último passo será ingressar na esfera cível para ter alguma reparação por dano material, por dano moral, as indenizações devidas à família. Mas vamos aguardar até que o inquérito ande um pouco mais, até que o Cremepe também ande um pouco mais com todas essas respostas”, afirmou.

“Nenhuma dessas demandas vai trazer de volta Miguel ao convívio familiar. Nenhuma dessas respostas jurídicas vão aplacar o sentimento de eterno luto da família. Mas vai indicar para a sociedade pernambucana quem errou, quem é responsável, e que essas pessoas ou entidades, no caso a Unimed, se assim a justiça entender, possam ser responsabilizadas no tamanho da sua culpabilidade”, acrescentou o advogado.

O que diz a Unimed

Em nota, a Unimed Recife afirmou que “toda a assistência foi prestada ao paciente e reforça ainda seu compromisso incondicional com a qualidade e segurança dos pacientes, seguindo rigorosos protocolos técnicos, com respaldo científico”.

“Por fim, reitera que sempre estará à disposição das autoridades competentes para fornecer as informações que, e se, estas as acharem necessárias”, escreveu.

Adelmo Lucena e Guilherme Anjos

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