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terça-feira, 14 de julho de 2026

MEIO AMBIENTE

Nascimento de tartaruga-verde é registrado pela primeira vez em Itamaracá

Tartarugas-de-pente desovam em Itamaracá (Foto: Instituto Itamaracá Preservada)


Além da soltura de 146 filhotes de tartaruga-de-pente, município registrou pela primeira vez o nascimento de tartarugas-verdes


A Ilha de Itamaracá, no Litoral Norte de Pernambuco, registrou pela primeira vez o nascimento de filhotes de tartaruga-verde. Mais de 40 animais emergiram de um ninho monitorado na manhã do domingo (12), marcando a primeira reprodução documentada da espécie no município.

O fim de semana também foi marcado pela soltura de 146 filhotes de tartaruga-de-pente, o maior nascimento registrado na atual temporada reprodutiva, totalizando mais de 180 filhotes chegando ao mar em dois dias.

Embora a tartaruga-verde já fosse observada nas águas da região, não havia registro de desova e nascimento da espécie no litoral de Itamaracá. O ninho vinha sendo monitorado desde 14 de maio pelo Instituto Itamaracá Preservada.

Segundo Ruan Fernandes, presidente do Instituto Itamaracá Preservada, o registro é relevante porque a espécie costuma concentrar sua reprodução em ilhas oceânicas.

“A tartaruga-verde possui um comportamento reprodutivo associado a ilhas oceânicas, especialmente Fernando de Noronha e o Atol das Rocas, que concentram algumas das mais importantes áreas de desova da espécie no Brasil. Embora existam registros pontuais de nidificação no litoral continental, eles são menos frequentes. Por isso, confirmar pela primeira vez uma desova e o nascimento de filhotes dessa espécie em Itamaracá é um acontecimento extremamente relevante para a conservação marinha da nossa região.”

Pedro Victor, integrante do Instituto Itamaracá Preservada, também destacou a importância da descoberta. “Quando soube que havia a possibilidade de uma nova espécie ter desovado em Itamaracá, foi uma surpresa e uma emoção muito grande. Esse momento representou a esperança de um futuro melhor para a biodiversidade da Ilha e reforça o propósito do nosso trabalho, apesar das dificuldades que enfrentamos.”

Entre os presentes durante a eclosão estava a bióloga Rosemari Rodrigues, que atuou por dez anos no monitoramento e na marcação de ninhos de tartarugas marinhas na região e acompanhou, pela primeira vez, o nascimento de filhotes de tartaruga-verde na ilha.

No dia anterior, a Praia do Forte Orange recebeu a soltura de 146 filhotes de tartaruga-de-pente, o maior número registrado em um único ninho durante a atual temporada, de acordo com o instituto. Antes da chegada dos animais ao mar, voluntários promoveram uma atividade de educação ambiental com moradores e visitantes sobre a conservação das tartarugas marinhas e dos ecossistemas costeiros.

“Esses momentos ajudam a aproximar as pessoas da natureza e reforçam a importância de preservar a biodiversidade da Ilha de Itamaracá. A conscientização é um dos caminhos mais importantes para a conservação”, afirmou Ruan Fernandes.

A soltura ocorreu pouco mais de uma semana após o furto de filhotes de um ninho monitorado pela equipe. “O furto dos filhotes nos deixou muito tristes, mas viver esse momento poucos dias depois foi emocionante. Ver a praia cheia de pessoas acompanhando a chegada de 146 filhotes ao mar nos mostrou que vale a pena continuar lutando pela conservação e pela proteção da biodiversidade da nossa Ilha.”, disse Maria Luisa, integrante do instituto.

De acordo com o Instituto Itamaracá Preservada, mais de 50 ninhos foram identificados e monitorados em 2026 ao longo de aproximadamente 17 quilômetros do litoral, entre a Praia do Forte Orange e o Pontal da Ilha. Segundo a organização, o trabalho já acompanhou o nascimento de mais de 3 mil filhotes de tartarugas marinhas neste ano.

Ninho foi violado dias antes

O desaparecimento de dezenas de filhotes de tartarugas marinhas de um ninho monitorado mobilizou ambientalistas e causou indignação na Ilha de Itamaracá no dia 3 de julho. O Instituto Itamaracá Preservada denunciou que os animais foram retirados ilegalmente da praia de Jaguaribe.

O caso ocorreu poucas horas antes da abertura programada do ninho, que seria acompanhada por estudantes das redes municipal e estadual e pela cantora Lia de Itamaracá durante uma atividade de educação ambiental. Segundo a ONG, o ninho era monitorado desde a desova e, na vistoria realizada na véspera, os filhotes ainda estavam em processo de eclosão.

Para evitar que os animais saíssem durante a noite e fossem desorientados pela iluminação das residências próximas, a equipe instalou uma tela de proteção sobre o ninho. No dia seguinte, apesar de a estrutura permanecer aparentemente intacta, os voluntários constataram, ao abrir o ninho, que todos os filhotes haviam desaparecido.

Adelmo Lucena

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