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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

CASO BANCO MASTER

Diretor do Banco Central pediu ao BRB para comprar créditos do Master

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino | Foto: Pedro França / Agência Senado

Pedidos por whatsapp foram expostos em reunião do conselho do BRB


O diretor de Fiscalização do Banco CentralAilton Aquino, enviou mensagens via WhatsApp ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, solicitando a aquisição de créditos do Master para aliviar os problemas de liquidez da instituição privada controlada por Vorcaro. A informação foi revelada por Malu Gaspar, colunista de O Globo, citando fontes e documentos que obteve.

A revelação expõe suposta interferência externa na negociação de carteiras de crédito consignado fraudadas do Banco Master para o BRB, operação que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros seis executivos em novembro de 2025.
Em pelo menos uma ocasião, as mensagens foram exibidas durante reunião do conselho de administração do BRB, em 25 de março de 2025. Na ocasião, Costa teria mostrado aos conselheiros uma troca recente em que Aquino pedia a compra de R$300 milhões em créditos, embora o banco estatal dispusesse apenas de R$270 milhões.
A apresentação das mensagens gerou constrangimento, mas os conselheiros aprovaram a operação por unanimidade, registrando uma exceção temporária (“waiver”) de 15 dias na ata, sem citar explicitamente o contato do diretor do BC.
Segundo relatos de fontes da colunista, Costa afirmava nos bastidores que Aquino enviava pedidos frequentes nesse sentido. A compra de carteiras ocorreu em meio a alertas prévios do próprio Banco Central sobre a situação delicada do Master, incluindo riscos de medidas prudenciais preventivas desde novembro de 2024.

Investigação

A operação entre as duas instituições envolveu transferências de cerca de R$ 16,7 bilhões ao Master entre julho de 2024 e outubro de 2025, dos quais R$ 12,2 bilhões foram considerados fraudulentos pela investigação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do BC — com contratos falsificados ou irregularidades graves.
Posteriormente, o BC vetou a tentativa de aquisição de fatia acionária do Master pelo BRB e decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025, mesma época da deflagração da operação da PF que levou às prisões.
Procurado, Paulo Henrique Costa informou que não se manifestaria. O BRB também optou por não comentar. O Banco Central não respondeu aos questionamentos da coluna até o fechamento da reportagem.Ailton Aquino nega ter recomendado a aquisição de carteiras fraudulentas.
Em nota oficial divulgada após a publicação, o BC defendeu que o diretor coordenou a identificação das irregularidades, promoveu investigações rigorosas e comunicou os ilícitos ao MPF, além de propor medidas preventivas e a própria liquidação do conglomerado Master. Aquino colocou à disposição da PF e do MPF seus sigilos bancário, fiscal e de conversas com Costa para esclarecimentos.
O caso segue sob investigação e já motivou debates no Supremo Tribunal Federal, incluindo acareações e questionamentos sobre a atuação de diferentes agentes públicos e reguladores.

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