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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

CONTRATO COM O BANCO MASTER

Governo abandona Lewandowski e diz diz ignorar contrato

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Vínculo do escritório ligado ao ex-ministro com o Banco Master veio à tona após nomeação para o Ministério da Justiça


Novas informações divulgadas nesta semana revelam que o escritório de advocacia ligado ao ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski manteve um contrato de consultoria com o Banco Master por quase dois anos, mesmo após a sua nomeação para o Ministério da Justiça e Segurança Pública no atual governo federal. 

O acordo, firmado em 28 de agosto de 2023, previa o pagamento de R$250 mil por mês ao escritório, cujo objeto era a “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”. 

Segundo os registros contratuais, os pagamentos continuaram até setembro de 2025, período em que Lewandowski já exercia funções como ministro há cerca de 21 meses. 

Ao longo de toda a vigência do contrato, o escritório ligado à família de Lewandowski recebeu aproximadamente R$6,5 milhões brutos, dos quais cerca de R$5,25 milhões foram pagos após a sua posse no Ministério da Justiça. 

Em resposta ao episódio, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva declararam que não tinham ciência prévia do contrato entre o escritório de Lewandowski e o banco na ocasião da nomeação do ex-ministro para o MJSP. 

Integrantes do Planalto têm minimizado o episódio nos bastidores, ressaltando que não houve comunicação formal sobre o vínculo no momento da escolha para liderar a pasta. 

Segundo interlocutores, o governo defende que não houve conflito de interesse, uma vez que o acordo teria sido encerrado antes da posse de Lewandowski. 

Por meio de nota, Ricardo Lewandowski confirmou que prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master após sua saída do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Ele afirmou que, ao ser convidado para o Ministério da Justiça, deixou o escritório de advocacia e suspendeu seu registro na OAB. 

A nota não especificou o período exato do contrato, mas reconheceu a prestação de serviços à instituição financeira antes de sua entrada no governo. 

Apurações apontam que a contratação do escritório com o Banco Master pode ter sido articulada por meio de indicação política do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). 

Após a saída de Lewandowski da sociedade do escritório (formalizada em 17 de janeiro de 2024) a gestão da banca passou a ser conduzida por seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski, que continuaram a receber os pagamentos mensais até o fim do contrato. 

O caso voltou a ganhar atenção pública em meio às investigações que envolvem o Banco Master e à análise de integrantes da instituição financeira pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal, levantando questionamentos sobre a interface entre atuação pública e relações contratuais privadas. 

Até o momento, as autoridades competentes ainda não divulgaram conclusões formais sobre eventuais irregularidades relacionadas ao contrato ou ao envolvimento de Lewandowski enquanto ocupava cargo público. 

Pedro Taquari

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