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sexta-feira, 24 de abril de 2026

DELEGADOS ARRETADOS COM LULA

Lula simplifica combate ao crime acusando atuação ‘fingida’ na PF

Sede da Polícia Federal em Brasília | Foto: Agência Brasil / EBC

ADPF reage à acusação de Lula contra agentes e delegados federais e cobra petista por mais compromisso e menos propaganda


A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) publicou nota, na noite desta quinta-feira (23), criticando o ataque do presidente Lula (PT) a integrantes da PF como uma forma preocupante de o petista simplificar indevidamente o tema segurança pública e o combate ao crime organizado. Em um discurso durante evento do agronegócio, Lula disse ter ordenado a convocação de agentes e delegados da Polícia Federal que estariam fora da corporação “fingindo trabalhar” para que retornem aos seus cargos de origem para “derrotar o crime organizado” no Brasil.

“O enfrentamento ao crime organizado exige menos propaganda e mais ações concretas, investimentos contínuos nos profissionais e inteligência estratégica. Declarações que desqualificam policiais não contribuem para esse objetivo e fragilizam o debate público sobre segurança”, disparou a ADPF, na nota.

A entidade ressaltou que não faz sentido a dúvida levantada por Lula sobre o comprometimento de delegados da Polícia Federal, citando que, por exemplo, 53 delegados federais estão cedidos a outros órgãos, o que representa menos de 3% do total de Delegados de Polícia Federal em exercício. E conclui que não se deve induzir a sociedade a acreditar que tal retorno aos cargos farão o Brasil vencer o crime organizado.

“Delegados atualmente cedidos ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, bem como a outros órgãos do Poder Executivo, do Judiciário e do Legislativo, exercem funções estratégicas e de alta relevância para o Estado brasileiro. São profissionais que seguem contribuindo ativamente para o fortalecimento das políticas públicas, não havendo qualquer fundamento para questionamentos generalizados sobre sua dedicação ou desempenho”, critica a ADPF.

Pendências e perdas

A associação que representa os delegados da PF sugere que o foco do debate levantado por Lula deveria estar em temas estruturantes e urgentes para o enfrentamento ao crime organizado. E dá como exemplo o cumprimento da promessa de Lula de criar o Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), considerada uma iniciativa essencial para reverter recursos tomados de criminosos para investir diretamente para aprimorar as estruturas de repressão qualificada à criminalidade.

A ADPF alerta ser preocupante o cenário de diminuição da capacidade técnica da Polícia Federal, pela perda de talentos e competitividade da carreira de delegado da corporação, em comparação com outras carreiras de mesma complexidade e responsabilidades do serviço público. E cita dados recentes de que, enquanto 104 novos delegados ingressaram na PF nos últimos três anos, 50 deixaram a carreira para assumir outros cargos. Além de apontar a relevante redução do interesse pelos concursos públicos na PF, de 321 mil inscritos em 2021, para 218 mil em 2025.

“Não basta ampliar o efetivo. É indispensável implementar políticas consistentes de valorização, retenção de talentos e financiamento adequado da instituição”, conclui um trecho da nota, que encerra reiterando pedido por diálogo apto à contribuição dos delegados federais com ideias e propostas efetivas para a defesa da PF e o aperfeiçoamento das políticas de segurança pública em benefício da sociedade brasileira.

Leia a declaração de Lula que causou a reação da ADPF:

“Ontem eu mandei o ministro da Justiça [Wellington César Lima e Silva] fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vai ficar fora aqueles que forem secretário de estado, mas aqueles agentes ou delegados que estão aí em outro lugar fingido que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar porque nós vamos derrotar o crime organizado nesse país e nós precisamos de todos os delegados e de todos os agentes trabalhando para prender bandido nesse país”, disse Lula.

Davi Soares

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