Primeira audiência do Caso Emily será nesta segunda (27): "Senti os tiros em mim", diz a mãe da garota que busca justiça
A quase nove meses, Emily Vitória estava comemorando seu aniversário quando foi atingida por tiros disparados por Sérgio Heverton, que passará pela audiência de instrução na segunda; família aguarda justiça para diminuir a dor
A primeira audiência do caso Emilly Vitória está marcada para acontecer nesta segunda-feira (27), no Fórum Desembargador Henrique Capitulino, localizado na BR-101, em Prazeres, Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife.
“Eu senti que aqueles tiros foram em mim”. A dor que não passa é de Shirlane Mayara, de 36 anos, mãe de Emilly Vitória, de 6 anos, morta a tiros durante uma festa de aniversário no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.
O caso terá um novo desdobramento na próxima segunda-feira (27), quando ocorre a primeira audiência de instrução, que deve definir se o acusado será levado a júri popular.
Às vésperas de completar nove meses do crime, neste sábado (25), a família revive a dor e cobra justiça. “A gente quer que ele pague pelo que fez. Ele destruiu uma família”, disse a tia da criança, Camila Ingrid.
Primeira fase do júri
De acordo com o advogado da família, João Vitor, apenas um réu responde pelo caso.
“Vai apenas um réu, que é o Sérgio Heverton. Essa audiência é a primeira fase do júri, onde serão ouvidas testemunhas de acusação para que o juiz decida se ele vai a júri popular”, explicou.
Segundo o advogado, não foram apresentadas testemunhas por parte da defesa até o momento.
“Serão ouvidas testemunhas de acusação, principalmente familiares que presenciaram o crime e policiais militares que atenderam a ocorrência”, disse.
Ele detalha que esta etapa é fundamental para o andamento do processo.
“O processo segue o que determina o Código de Processo Penal. Essa é a fase em que o juiz vai decidir se pronuncia o réu. Ou seja, se envia ele para a segunda fase, que é o júri popular”, afirmou.
Provas e expectativa da acusação
A defesa da família afirma que há elementos consistentes contra o acusado, incluindo relatos de testemunhas oculares.
“A gente tem provas bastante robustas, principalmente, testemunhas que viram tudo acontecer. Elas vão descrever toda a dinâmica do crime, desde a chegada dele até os disparos”, destacou o advogado.
A expectativa, segundo ele, é de que o réu avance para julgamento no plenário.
“O que se espera é que ele vá para a segunda fase do júri, para que todas essas provas sejam apresentadas aos jurados e que, ao final, seja feita a justiça”, disse.
O acusado responde por um homicídio qualificado consumado e duas tentativas de homicídio.
Sobre uma eventual pena, João Vitor explica que ainda não é possível definir com precisão, mas aponta uma estimativa com base na legislação.
“Como se trata de homicídio qualificado, a pena varia de 12 a 30 anos. Considerando as circunstâncias, pode chegar a algo entre 16 e 20 anos, mas isso depende de vários fatores que ainda serão analisados”, explicou.
Atualmente, o acusado está preso no Cotel.
Como foi
“Quando ele entrou, começou a atirar”, contou a mãe da criança.
Ela havia deixado a filha na festa, que reunia apenas crianças, e aguardava na frente quando o ataque aconteceu.
“Eu levei ela pra festa e fiquei do lado de fora, conversando com os padrinhos dela. Quando eu vi ele descendo a ladeira com a arma na mão, eu reconheci na hora. Mas nunca imaginei que ele ia fazer isso”, relatou.
Segundo Shirlane, o homem passou por ela normalmente, armado, e entrou na casa onde acontecia a comemoração.
“Quando ele passou pelo portão, eu disse: ‘meu Deus, ele vai entrar na festa, minha filha tá lá’. E quando ele entrou, começou a atirar. Eu comecei a gritar, me desesperar. Eu senti que aqueles tiros foram em mim”, disse.
A criança foi atingida por dois disparos, um no braço e outro na cabeça.
“Meu compadre entrou e saiu com ela nos braços. Ela já vinha desfalecida. Foi o maior desespero. A gente só pensava em socorrer”, contou.
Emilly foi levada, inicialmente, para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois transferida para o Hospital da Restauração (HR), no centro do Recife, onde ficou internada por quatro dias.
“Ela teve morte encefálica. Foi o maior desespero da minha vida”, completou a mãe.
Ainda de acordo com Shirlane, o suspeito deixou o local caminhando normalmente, após os disparos.
“Ele saiu com a arma na mão, passou por mim enquanto eu estava gritando. Eu saí dizendo que tinha sido ele. A população conseguiu pegar ele e segurou até a polícia chegar”, afirmou.
O homem foi identificado como Sergio Heverton da Silva Carvalho, de 39 anos.
Relação com o acusado
A mãe contou que conhecia o acusado desde a infância, já que ele morava em frente à casa dela.
“Ele cresceu aqui, na frente. Era vizinho. A relação era só de ‘oi, oi’. Eu nunca tive proximidade porque ele era envolvido com coisa errada”, disse.
Apesar disso, ela afirma que jamais imaginou que ele cometeria um crime dessa forma.
“Eu pensei que ele estava só se mostrando com a arma. Nunca passou pela minha cabeça que ele ia entrar numa festa de criança pra atirar”, declarou.
“Era uma menina maravilhosa”
A dor da perda também é compartilhada por outros familiares. Ingrid, descreveu a Emilly como uma criança cheia de vida.
“A Emilly era uma menina amorosa, muito inteligente, cheia de saúde. Todo mundo amava ela. Era uma menina de casa, muito bem cuidada”, disse.
Ela contou que esteve com a criança pouco antes do crime.
“Eu passei lá uns 40 minutos antes. A gente abraçou, beijou, disse que amava. Meu esposo ainda falou que ia buscar ela na escola no dia seguinte. A gente nunca imaginava que aquilo ia acontecer”, relatou.
Segundo Ingrid, a notícia chegou por meio de um grupo da família.
“A gente recebeu um áudio dizendo que a mãe dela estava gritando. Foi um desespero. Quando chegamos lá, já soubemos que ele tinha entrado atirando dentro da festa”, disse.
Além de Emily, outras duas pessoas foram atingidas, a aniversariante que estava completando 5 anos, e um jovem de 19 anos, identificado como Taywan Silva. Ambos sobreviveram.
Familiares acreditam que o alvo do atirador seria outra pessoa.
“Ele veio com intenção de matar alguém, mas sabia que ali só tinha criança. Dava pra ver de fora. Mesmo assim, ele entrou e atirou”, afirmou Ingrid.
Expectativa para a audiência
A audiência de instrução está marcada para segunda-feira (27), no Fórum Desembargador Henrique Capitulino, localizado na BR-101, em Prazeres, Jaboatão dos Guararapes, e deve definir se o acusado irá a júri popular.
Grávida de três meses, a mãe de Emily diz que enfrenta crises de ansiedade com a proximidade da data.
“Meu coração está angustiado. Vem tudo na cabeça. Mas eu creio que a justiça vai ser feita. A justiça de Deus não falha”, disse.
A família tenta seguir unida diante da dor. “É um dia após o outro. Um segurando no outro”, resumiu Ingrid.
Cadu Silva

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