Alcolumbre desmoraliza Lula
A maior derrota de Lula tem um algoz: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP). Nos bastidores, ele articulou voto a voto para desmoralizar o governo, mostrando força e liderança. Nunca na história se viu algo tão avassalador. Nunca um governo errou tanto na articulação e na condução do processo.
A derrota materializada ontem foi anunciada e prevista desde novembro, quando o próprio presidente do Senado liderou uma rebelião contra a indicação de Jorge Messias, porque queria e defendia outro nome bem mais assimilável: o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O governo foi alertado o tempo todo que Messias não passava.
Mas Lula quis testar a sua força, seu prestígio e o poder da máquina no enfrentamento a Alcolumbre, um político até então sem pedigree, representante de um Estado de pouca densidade eleitoral. A mídia noticiou a liberação de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares para aprovar Messias a todo custo.
Mas Lula subestimou o poder de Alcolumbre. Ontem, o presidente do Senado conversou com pessoas de diversos matizes políticos e, em pelo menos três dessas conversas, confidenciou que ontem seria um dia histórico. É claro que estava seguro de que iria derrotar o governo e desmoralizar Lula.
Um integrante da base lulista chamou a derrota de Messias de “gigantesca” e disse que essa é “a maior crise política do governo Lula neste seu terceiro mandato”. Uma derrota maiúscula que Davi Alcolumbre impõe a Lula. Para ele, “o caso Master contribuiu para a derrota de Jorge Messias”.
DERROTA HISTÓRICA
O Senado rejeitou um nome ao Supremo Tribunal Federal (STF) após 132 anos, impôs uma derrota histórica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e barrou a indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) à Corte. O revés para o governo tensiona ainda mais a relação com o Congresso, a menos de seis meses da eleição. Messias teve 34 votos a favor da indicação, sete a menos que o necessário. Foram 42 votos contrários. Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias teve 16 votos em sabatina marcada por um clima de apreensão de governistas diante da falta de segurança sobre se ele seria aprovado.
A mão invisível do algoz
Quatro senadores ouvidos pelo blog, sob reserva, relataram que Alcolumbre entrou em contato com parlamentares de centro, oposição e indecisos ao longo do dia, pedindo voto contrário a Messias e estimulando que esses senadores também buscassem convencer outros colegas. Procurada, a assessoria do presidente do Senado negou veementemente que ele tenha pedido votos contra Messias. Nos bastidores, a estimativa de senadores envolvidos na articulação era de um bloco entre 26 e 31 votos contrários — patamar que não impediria a aprovação, mas reduziria a margem do governo e daria um sinal político ao Planalto.
Sem plano B
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não trabalha com outro nome para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem afirmado a pessoas próximas que não vai indicar outro nome na hipótese de rejeição pelo Senado do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), o que se concretizou ontem. Lula vinha reforçando ao seu entorno que não cogita um plano B para o posto vago após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Messias teve 34 votos, sete a menos do que o mínimo necessário.
O sexto recusado
Com o resultado, Messias se torna o sexto nome recusado pelo Senado para o STF em toda a história da República — todas as outras ocorreram no século XIX. Durante a sabatina, Messias buscou atrair votos da oposição e de parlamentares mais conservadores ao se declarar “totalmente contra o aborto”, fazer menções a Deus e à sua religião evangélica, além de defender que o STF deve exercer autocontenção e respeitar os limites entre os Poderes.
Por Magno Martins

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