Rombo das estatais dispara R$5,9 bilhões em quatro meses
Prejuízo acumulado em quatro meses escancara o descontrole dos gastos
O volume de gastos do governo federal com a manutenção de empresas estatais atingiu um patamar crítico logo no primeiro quadrimestre deste ano.
Dados oficiais divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (29) revelam que as empresas estatais federais acumularam um déficit de R$5,93 bilhões entre janeiro e abril.
O saldo negativo acumulado em apenas quatro meses não apenas quebrou recordes, mas já ultrapassou o prejuízo total registrado ao longo de todo o ano de 2025, que havia fechado em R$5,1 bilhões.
O resultado fiscal negativo de R$5,93 bilhões representa o pior desempenho para o período de janeiro a abril em toda a série histórica do Banco Central, iniciada em 2002.
Até então, o maior rombo monitorado nos quatro primeiros meses de um ano havia ocorrido justamente no ano anterior, em 2025, quando o déficit alcançou R$2,73 bilhões.
O avanço acelerado das despesas operacionais sobre as receitas das companhias indica um agravamento expressivo na dependência de recursos públicos para o custeio dessas estruturas.
De acordo com a metodologia da autoridade monetária, as estatísticas de déficit consideram a variação total da dívida líquida dessas companhias e excluem do cálculo os grupos que operam no setor financeiro (como bancos públicos), além de gigantes de economia mista como a Petrobras e a Eletrobras.
Desse modo, o balanço de perdas foca na eficiência de gestão de empresas controladas diretamente pela União, englobando corporações como os Correios, a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Empresa Gestora de Ativos (Emgea).
A crise no caixa das estatais ganha tração em meio à acentuada deterioração das contas de companhias tradicionais de serviços.
Os Correios despontam como uma das principais fontes de pressão fiscal sobre o resultado geral.
De acordo com informações contidas no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado pelo próprio Poder Executivo ao Congresso Nacional, a tendência mapeada para a empresa postal aponta para a persistência de um elevado prejuízo financeiro continuado, demandando a necessidade de aportes diretos de capital oriundos do Tesouro Nacional para sustentar suas operações.
A pressão gerada pelas estatais soma-se a um cenário mais amplo de desequilíbrio no setor público.
O relatório do Banco Central detalhou também que a situação deficitária se estende aos estados, cujas empresas públicas estaduais anotaram prejuízo acumulado de R$1,85 bilhão no mesmo período de quatro meses.
Em contrapartida, as empresas geridas pelas administrações municipais foram as únicas a registrar superávit, apresentando um saldo positivo de R$100 milhões no primeiro quadrimestre.
Pedro Taquari

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