STF discute saída para responder notificação dos EUA a Moraes
Ministro Alexandre de Moraes Foto: Ton Molina/Fotoarena/Agência O Globo
Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça integram a discussão
A Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça (MJ) discutem uma saída jurídica para a decisão da Justiça norte-americana de notificar o ministro Alexandre de Moraes sobre um processo aberto contra ele nos Estados Unidos.
O advogado Martin De Luca, que representa a plataforma de vídeos Rumble e a Trump Media & Technology Group, afirmou, nesta segunda-feira (25), que o ministro foi notificado via email. No entanto, o STF não confirma essa informação.
As duas empresas entraram com ação na Justiça do EUA pedindo a nulidade das ordens de restrição e bloqueio emitidas por Moraes. O argumento é que as determinações configuram censura e atentam contra o direito à liberdade de expressão.
Moraes não deve se manifestar diante da notificação porque, segundo a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), o magistrado não responde pessoalmente por decisões judiciais proferidas no exercício regular da função jurisdicional.
Interlocutores do ministro explicaram que o sistema jurídico brasileiro protege a independência judicial e prevê responsabilidade pessoal do juiz apenas em hipóteses excepcionais – por exemplo, nos casos de fraude.
Ainda não está definido, porém, quem responderá à notificação. Isso poderia ser feito, em tese, pelo STF, pela AGU ou pelo Ministério da Justiça, porque seria o caso de cooperação internacional. Outra possibilidade seria acionar o Itamaraty para atuar no caso.
Em março, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de cumprimento de carta rogatória da Justiça dos Estados Unidos para intimar Moraes. A Corte entendeu que a legislação não autorizava a medida, porque o ministro atuou no exercício da função.
Ainda assim, a pedido das plataformas, a Justiça da Flórida autorizou a notificação por email. Na visão de autoridades brasileiras, esse procedimento deveria ter sido realizado pela via diplomática.
*AE
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