De proteção da chuva e do sol, marquises se transformam em preocupação no Centro do Recife
Novo desabamento de marquise, nesta quarta (6), aumenta preocupação entre comerciantes e pessoas que circulam no Centro do Recife; Defesa Civil reforça que responsabilidade pela manutenção da estrutura é dos donos dos imóveis
A queda da marquise de uma loja na Rua Sete de Setembro, no bairro da Boa Vista, acende um alerta sobre a situação dessas estruturas em outros imóveis da área central do Recife, principalmente neste período de chuva, em que muitas pessoas tentam se abrigar durante a precipitação.
“Essas marquises aqui no Centro são muito antigas e ninguém resolve nada. Muita gente fica esperando a chuva passar embaixo delas. É muito perigoso. Eu mesmo já fiquei nessa marquise que caiu em dias de chuva”, destacou o vigilante Jaelson Silva, de 52 anos, que trabalha em uma agência bancária que fica próxima ao local do desabamento da marquise.
Porém, esse problema não se restringe à Rua Sete de Setembro e está presente em outros locais da área central da capital pernambucana. Diante disso, a reportagem do Diario de Pernambuco circulou, nesta quarta-feira (06), pelos bairros da Boa Vista, São José e Recife Antigo e constatou o medo das pessoas com relação a possíveis tragédias que podem acontecer com a queda dessas estruturas.
“Essas marquises e prédios antigos são um perigo, pois muitas dessas estruturas fazem anos que foram reformadas, não sei se é por questão de tombamento ou por motivos particulares. O que eu sei é que nesse período de chuva muitas vão se precarizando por conta das infiltrações, o que faz com que ocorra a criação de ferrugem nas estruturas dessas lajes”, destacou o ambulante, Rafael Martins, de 37 anos, que circula por várias localidades do bairro de São José.
Segundo Rafael, a queda de estruturas de imóveis no Centro do Recife é algo recorrente, seja por pedaços de concreto pequenos ou por estruturas maiores, como aconteceu na Av. Visconde de Suassuna, na semana passada, em que a marquise de um prédio abandonado caiu sobre um carro que estava estacionado.
Em algumas situações, a própria Defesa Civil do Recife emite documentos que condenam a situação de certos locais e exigem dos proprietários a retirada de estruturas que estão sob risco de colapso ou a adoção de medidas preventivas.
Um desses casos aconteceu na própria Rua Sete de Setembro, onde a proprietária de um imóvel precisou retirar duas estruturas que estavam deterioradas.
“Quando a gente chegou aqui, cerca de três meses atrás, a marquise desse espaço que alugamos foi condenada pela Defesa Civil, pois um pedaço dela tinha caído em uma pessoa. Com a condenação, a proprietária teve que retirar”, ressaltou a comerciante Ana Paula de Oliveira, de 42 anos.
Vistoria de imóveis
Conforme dados da Prefeitura do Recife, a Defesa Civil municipal realizou 136 vistorias no ano passado em imóveis localizados na área central da capital pernambucana, que estavam classificados com risco estrutural alto ou muito alto.
Apesar da categorização, a Defesa Civil destacou que essa classificação não indica, necessariamente, risco de colapso estrutural, podendo estar associada a situações pontuais e passíveis de mitigação, como problemas em elementos de fachada ou a necessidade de medidas preventivas.
Segundo a Defesa Civil, cada vistoria resultou em uma avaliação técnica individualizada, com orientações específicas para reduzir ou eliminar as situações identificadas.
O órgão também ressaltou que a responsabilidade pela manutenção preventiva e corretiva das edificações é dos proprietários, com o objetivo de evitar acidentes e garantir a segurança do entorno.
“Ao identificar possíveis situações de risco, a população deve acionar a Defesa Civil pelos telefones 0800-0813400 e 3036-4873, ou pelo Conecta Recife”, orientou o órgão.
Apesar da responsabilidade individual de cada proprietário, pessoas que transitam diariamente pelo centro da cidade cobram ações do poder público no sentido de reduzir os riscos de desabamento de marquises.
“A prefeitura e os proprietários têm que olhar para essa situação e tomar providência enquanto é tempo, pois, geralmente, só começam a agir quando a queda da marquise provoca uma vítima”, reclamou Jaelson Silva.
Bartô Leonel

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