Estudante é apreendida após esfaquear colega em escola em Garanhuns
Jovem que agrediu colega estaria sendo vítima de episódios de bullying. Segurança da escola interveio na ocasião
Uma adolescente de 16 anos foi apreendida após esfaquear uma colega de 17 anos na noite desta terça-feira (5) na Escola Simôa Gomes, localizada na Cohab 2, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. A jovem foi atingida no ombro e precisou ser encaminhada para um hospital da cidade.
A jovem teria desferido o golpe de faca após ser alvo de bullying praticado pela vítima e outros colegas. A agressão foi percebida por um funcionário que faz parte da segurança da instituição de ensino, que interveio e retirou a arma das mãos da jovem.
Na ocasião, a Polícia Militar foi acionada e enviou uma equipe até a escola. Em seguida, a jovem foi conduzida para a 18ª Delegacia Seccional e a vítima precisou ser encaminhada ao Hospital Regional Dom Moura, onde recebeu atendimento médico.
Por meio de nota, a Polícia Civil informou que a adolescente será encaminhada para o Ministério Público de Pernambuco, onde ficará à disposição da justiça. O procedimento será encaminhado à 22ª Delegacia de Homicídios, para continuidade e conclusão das investigações.
O que diz a PM
Por meio de nota, a Polícia Militar informou que houve acionamento para uma ocorrência em uma unidade de ensino, no município de Garanhuns.
No local, ainda segundo a PM, foi constatado que uma adolescente feriu outra estudante com o uso de arma branca.
“A vítima foi prontamente socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) e encaminhada, consciente, ao Hospital Regional Dom Moura”, acrescentou.
A Polícia Militar disse também que a autora da agressão, também menor de idade, foi apreendida pela Polícia Militar de Pernambuco e conduzida à delegacia local para a adoção das medidas legais cabíveis.
“Integrantes da Patrulha Escolar da PMPE permanecem na unidade educacional, realizando os levantamentos necessários e prestando apoio à comunidade escolar”, acrescentou a nota.
O que diz a Secretaria de Educação
Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação (SEE-PE) informou que os demais estudantes da escola receberam apoio por meio da psicóloga do local, assim como da gestora e de outros profissionais da instituição.
"Desde já, a pasta se coloca à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento e afirma que desenvolve, em sua proposta pedagógica, práticas de prevenção ao bullying e a qualquer tipo de violência, dentro e fora das unidades escolares", destaca a pasta.
A escola tem apoio do Núcleo de Atenção Psicossocial às Escolas (Napse), da GRE Agreste Meridional.
Casos recentes
Em março, um adolescente de 14 anos esfaqueou três colegas dentro de uma escola pública em Barreiros, na Zona da Mata Sul de Pernambuco. As três vítimas eram todas da mesma turma do agressor. Uma delas perdeu os movimentos das pernas após receber um golpe nas costas.
O caso ocorreu na Escola de Referência em Ensino Fundamental e Médio Cristiano Barbosa e Silva, no bairro dos Lotes. O adolescente foi apreendido por ato infracional análogo à tentativa de homicídio e levado à Delegacia de Palmares.
Em setembro de 2025, uma menina de 11 anos morreu após sofrer agressões dentro do banheiro da escola onde estudava, em Belém do São Francisco, no Sertão pernambucano. O caso ocorreu na Escola Municipal Tia Zita e foi registrado por câmeras de segurança.
A gravidade do quadro só foi reconhecida após a menina vomitar sangue. Ela então foi encaminhada ao Hospital Municipal de Belém do São Francisco, transferida para o Hospital Regional de Salgueiro e, posteriormente, para o Hospital da Restauração, no Recife, onde morreu. Ela sofreu um traumatismo cranioencefálico provocado por instrumento contundente.
Bullying
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados de 2024 aponta que 28,4% dos estudantes pernambucanos entre 13 e 17 anos, matriculados em escolas públicas, disseram ter se sentido humilhados por provocações de colegas ao menos duas vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa. O índice está acima da média nacional, de 27,2%.
Em 2019, 23% dos estudantes brasileiros relataram ter sofrido bullying e em 2024 o percentual subiu para 27,2%, um aumento de 4,2 pontos percentuais, evidenciando a maior frequência de episódios de humilhação entre alunos.
Adelmo Lucena

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