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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

INDÍGENAS MORTOS

Mais mortes de Yanomamis sob Lula fazem Flávio questionar: ‘Genocida?’

Mortes de Yanomamis foram divulgadas pelo Ministério da Saúde. (Foto: Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil).

Ministério registrou 1.138 mortes no território indígena sob o governo petista, e tragédia supera óbitos no governo Bolsoraro


 

A crise humanitária que atinge povos originários da Amazônia avançou no governo do presidente Lula (PT) e ampliou o registro de mortes de indígenas para 1.138 óbitos no território Yanomami, entre os anos 2023 e 2025, de acordo com o Ministério da Saúde. A tragédia virou mote de provocação eleitoral do candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (21), ao fazer referência à retomada do uso do termo “genocida”, atribuído pela esquerda ao seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Já pode chamar de genocida?”, escreveu Flávio Bolsonaro, ao republicar chamada de reportagem da revista Veja, sobre o petista ter superado as 951 mortes de Yanomamis registradas no mandato de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.

A escalada de mortes neste terceiro mandato presidencial de Lula permaneceu, mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar, em 2023, que o governo do presidente Lula adotasse, até o final de 2024, um novo plano para retirar invasores de sete terras indígenas: Araribóia, Karipuna, Kayapó, Mundurucu, Trincheira Bacajá, Uru-Eu-Wau-Wau e Yanomami.

Ao determinar que o governo petista operasse uma desintrusão de invasores, o então presidente do STF Luís Roberto Barroso ressaltou, em novembro de 2023, que estas medidas seriam essenciais deviam ser priorizadas pela gestão de Lula.

“É importante que existam previsões específicas para o sufocamento de ocupações ilegais e a destruição de equipamentos utilizados, em particular, no garimpo, na criação de gado e na pesca”, decidiu o agora ministro aposentado Barroso.

Entre o final de 2022 e o início de 2023, a escalada mortal que vitimou Yanomamis foi classificada como calamidade e alertou defensores dos direitos humanos de todo o mundo, que chamavam Bolsonaro de “genocida”.

A tragédia dos indígenas, historicamente invisibilizada, foi mote da campanha eleitoral que elegeu Lula, em 2022. E, nestas eleições presidenciais de outubro, o petista é quem deve ser o alvo da mesma estratégia de exploração do problema humanitário. Fato que volta a revelar interesses seletivos e utilitários, nas diversas vertentes políticas que lutam pelo poder no Brasil.

Veja os dados registrados no Informe 09 da Missão Yanomami do Centro de Operação de Emergências (COE) Yanomami do Ministério da Saúde, divulgado em 09 de julho desde ano 2026:

A reportagem de Veja citou 1.121 mortes de Yanomamis, entre 2023 e 2025. Mas o Diário do Poder checou e atualizou os dados, minutos após a publicação de uma primeira versão desta matéria.

Posição do governo federal

A Secretaria de Comunicação do governo Lula se posicionou através de nota oficial.

O Governo Federal considera grave a divulgação de análises inverídicas sobre a situação na Terra Indígena Yanomami a partir de dados apresentados sem a devida contextualização epidemiológica, histórica e operacional.
A comparação entre períodos é especialmente problemática porque desconsidera que, entre 2019 e 2022, houve grave deterioração da assistência à saúde, com subnotificação de adoecimentos e óbitos. A rede chegou a um nível de precariedade que comprometia a própria capacidade do Estado de identificar e registrar mortes, com unidades e polos-base fechados ou destruídos e comunidades sem atendimento regular. Desde 2023, foram ampliados o atendimento, a busca ativa, os diagnósticos e a vigilância epidemiológica. Comparar registros desses períodos como se fossem equivalentes produz uma conclusão enganosa.

Os dados mais recentes mostram evolução concreta: o número de óbitos caiu 29,5% entre o primeiro semestre de 2023 e o mesmo período de 2026, de 224 para 158 registros. No mesmo intervalo, foram zeradas as mortes por malária, enquanto os óbitos por desnutrição caíram 75,7% e por infecção respiratória aguda, 40,8%. As doses de vacinas praticamente dobraram, de 11.273 para 20.267, a proporção de crianças menores de um ano com esquema vacinal completo passou de 28% para 57,6% e o acompanhamento nutricional chegou a 84%.

Esses resultados decorrem de uma operação permanente, com atuação de mais de 20 órgãos federais. O número de profissionais de saúde mais que triplicou, de 690 para mais de 2,1 mil. Foram reabertos sete polos-base e hoje estão em funcionamento os 37 polos-base, as 40 Unidades Básicas de Saúde e o Centro de Referência de Surucucu, destinado ao atendimento de casos mais graves no próprio território.

Também é incorreto afirmar que a realidade permanece a mesma. Entre março de 2024 e agosto de 2026, houve redução de cerca de 99% na abertura de novas áreas de garimpo na Terra Indígena Yanomami. No mesmo período, as operações impuseram prejuízo estimado em R$ 768 milhões à atividade ilegal. Desde 2023, foram distribuídas mais de 205 mil cestas de alimentos, paralelamente à recuperação da produção tradicional, do acesso à água e da autonomia alimentar das comunidades.

Os recursos mobilizados pelo Governo Federal financiam ações de saúde, segurança, proteção territorial, fiscalização ambiental, logística e assistência às comunidades. A atual gestão tem atuado com transparência e prestação de contas. O STF encerrou por unanimidade a ADPF 709 ao reconhecer o cumprimento das medidas determinadas. Os créditos extraordinários, que totalizam R$ 1,8 bilhão e foram aprovados pelo Congresso Nacional, tiveram os recursos empenhados e vinculados às ações previstas. Gestores federais também prestaram esclarecimentos ao Senado, atendendo a convite da Subcomissão Yanomami.

Portanto, não há qualquer elemento que sustente suspeitas sobre a destinação dos recursos. Eventuais irregularidades devem ser demonstradas por fatos concretos e apuradas pelos órgãos competentes, não por insinuações.
Com a presença permanente do Estado e o monitoramento ampliado, os dados mostram uma mudança concreta: a assistência à saúde foi reconstruída, o garimpo foi drasticamente reduzido e os indicadores de saúde melhoraram de maneira expressiva. A situação no Território Yanomami ainda exige atenção contínua, e o Governo Federal seguirá atuando de forma integrada em saúde, proteção territorial e das comunidades, segurança alimentar, enfrentamento às atividades ilegais e recuperação da autonomia dos povos Yanomami.

Atenciosamente,

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Davi Soares

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