Mensagens atribuídas a Lulinha no celular da lobista sugerem participação em tratativas comerciais
Material publicado por portal de notícias teria sido apreendido pela Polícia Federal
O vazamento de supostas trocas de mensagens entre os empresários Fábio Luís Lula da Silva, Lulinha, e Roberta Luchsinger daria sustentação às especuladas negociações do primogênito do presidente Lula com a lobista. O material foi publicado, nesta segunda-feira (17), pelo colunista Tácio Lorran, do portal Metrópoles.
Segundo a reportagem, as mensagens estavam em posse da Polícia Federal e teriam sido extraídas do aparelho celular de Luchsinger. O caso é tratado como possível tráfico de influência em um inquérito autônomo, derivado da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em folhas de aposentados e pensionistas do INSS.
Lulinha teria orientado Roberta a emitir uma nota fiscal, 24 de julho de 2023, para cobrar o empresário Cleber Ribas, que soma R$ 85,7 milhões em seis contratos federais – dos quais cinco foram fechados na atual gestão do presidente Lula. O maior deles, de R$ 42 mi, para o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
“Emite a NF pro Cleber”, diz a suposta mensagem de Lulinha, segundo a reportagem. “Já fiz”, responde Roberta. “Boaaaaa”, conclui o Lulinha. De acordo com o material do Metrópoles, o relatório da PF indica que Cleber Ribas solicitou a Roberta uma reunião com o filho do presidente no dia 31 de maio de 2023.
“Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça”, teria dito Roberta, no dia 22 de março de 2024, ainda segundo a reportagem. “Marcola [Marco Aurélio Santana Ribeiro, então chefe de gabinete de Lula] não quer. Ele tá incomodado.” Ao que teria respondido o filho do presidente: “Já é o terceiro almoço que eu tenho com ele e ele pede pra ser só entre nós”.
A defesa de Ribas reiterou que a relação do empresário com Lulinha é “decorrente da amizade entre ambos, sem qualquer vínculo profissional ou comercial” e que todos os contratos com o governo federal “foram firmados na mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja”.
O crime de tráfico de influência é tipificado pelo art. 332 do Código Penal brasileiro como “Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função”. Sem provas concretas, a defesa de Lulinha alega “pesca probatória”.
À revista Fórum, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, classificou o novo episódio como “mais uma vazamento criminoso”. “(...) estamos diante da triste e nefasta instrumentalização do sistema de justiça ou de parte dele, a serviço de interesses políticos e eleitorais”, afirmou à publicação, ao recordar a midiática Operação Lava Jato.
Guto Moraes

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