João Campos comenta decisão do STF e cobra investigação da PF em Pernambuco
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), se pronunciou hoje (31), por meio das redes sociais, após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a Polícia Federal a investigar a atuação da Polícia Civil de Pernambuco diante de indícios graves de monitoramento ilegal de agentes públicos ligados à Prefeitura do Recife. A decisão foi proferida pelo ministro Gilmar Mendes, na Petição nº 15.115, e tem como eixo central a preservação do dever constitucional de neutralidade do Estado em período pré-eleitoral.
Em publicação, João Campos afirmou que a entrada da Polícia Federal no caso representa um passo para o esclarecimento dos fatos. “A Polícia Federal agora está no caso. Decisão do Supremo Tribunal Federal chega para fazer justiça. A PF agora está autorizada a investigar a ação clandestina de monitoramento e de espionagem ilegal conduzida pela Polícia Civil”, escreveu. O prefeito também levantou questionamentos sobre a motivação da suposta operação. “É hora de Pernambuco saber: quem deu a ordem? A quem interessou agir à margem da lei? Por que fazer isso em pleno ano eleitoral?”, acrescentou.
Segundo João Campos, desde o início ele alertou para a gravidade da situação e defendeu que as apurações ocorram dentro da legalidade. “Sou favorável que toda investigação seja feita, desde que ela cumpra o que prevê a legislação. Como a própria decisão do STF traz, Pernambuco e o Brasil não podem assistir a nenhum tipo de vigilância com finalidade política”, afirmou. Para o prefeito, “atos assim não podem ficar impunes”, e a participação da Polícia Federal será “decisiva para apurar, investigar e chegar até o final de um processo”.
Em vídeo, João Campos fez críticas ainda mais diretas à suposta atuação de agentes da Polícia Civil. “A Polícia Federal vai investigar a polícia paralela montada pelo Governo do Estado de Pernambuco”, declarou. Ele afirmou que parte da corporação teria sido utilizada “para fins eleitorais e políticos”, sem qualquer procedimento formal. “Sem BO, sem inquérito, carro oficial da Prefeitura sendo rastreado, servidores sendo seguidos, tudo de forma clandestina e criminosa”, disse, classificando a situação como “inaceitável”.
O prefeito também buscou diferenciar a instituição policial das denúncias em apuração. “Volto a registrar o meu respeito pela Polícia Civil, que nunca poderá ser transformada em polícia paralela ou em polícia política”, escreveu, acrescentando que não será “conivente com quem aceita a atitude ilegal e clandestina de estimular a perseguição eleitoral”.
Mais cedo, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), também se manifestou nas redes sociais sobre o tema, negando qualquer orientação do governo para perseguição política. Em vídeo publicado no Instagram, ela afirmou que a Polícia Civil é uma instituição de Estado e atua com autonomia. Raquel Lyra disse ainda tratar o assunto com serenidade e defendeu a realização de investigações sempre que houver indícios. “Nada nem ninguém jamais deixará de ser investigado se houver indícios suficientes para isso”, afirmou.
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