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quinta-feira, 9 de abril de 2026

DELAÇÃO DE VORCARO

Mendonça descarta homologação automática de eventual delação de Vorcaro

André Mendonça, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) | Foto: Foto: Nelson Jr. / STF


Defesa de banqueiro busca celeridade em acordo, enquanto Corte avalia citações a ministros


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou a interlocutores que não pretende conceder uma homologação imediata a uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. A estratégia do magistrado consiste em confrontar o teor da colaboração com os resultados obtidos pela Polícia Federal (PF) nas apurações que envolvem o Banco Master. Segundo informações divulgadas pela CNN nesta quarta-feira (8), a validação do pacto só ocorrerá se forem identificados progressos significativos em comparação ao que os investigadores já descobriram.

O cronograma estabelecido prevê que tanto o desfecho do inquérito da PF quanto a proposta inicial de delação sejam apresentados até a metade do mês de maio. O próprio Mendonça fixou um prazo de 60 dias, a contar de 18 de março, para o encerramento dos trabalhos policiais, data que expira em 18 de maio.

Enquanto o lado de Vorcaro demonstra urgência na formalização do acordo como via para obter a liberdade, fontes próximas ao processo indicam que o otimismo do ministro quanto ao conteúdo do depoimento é moderado. Isso ocorre a despeito de a defesa do banqueiro garantir que seu cliente pretende revelar “toda a verdade”.

O cenário fica complexo por conta de possíveis implicações de membros do próprio STF. Inicialmente, suspeitava-se que a proximidade do advogado de Vorcaro com ministros da Corte pudesse influenciar o escopo da delação, focando em figuras políticas e preservando magistrados. Contudo, novos desdobramentos ao longo da semana sugerem progressos em descobertas que mencionam integrantes do tribunal, o que abre caminho para a possível instauração de investigações formais.

Para que um inquérito dessa natureza avance, é necessário o aval da maioria do plenário do STF, um desfecho considerado incerto pela atual conjuntura. Nesse quadro, o posicionamento do ministro Kassio Nunes Marques é visto como o desempate. Interlocutores avaliam que Marques tem sofrido pressões e críticas constantes, interpretadas como tentativas externas de moldar seu voto em caso de uma eventual deliberação sobre a abertura de investigações contra seus pares.

Juan Araujo

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