Escritório da Mulher de Alexandre de Moraes chegou a receber R$40 milhões do Banco Master
Viviane Barci ao lado do marido, ministro do STF Alexandre de Moraes. (Foto: Antonio Augusto/TSE).Documentos da Receita Federal revelam que foram pagas 11 das 36 parcelas mensais contratadas de R$3,6 milhões
Documentos da Receita Federal revelam que o Banco Master realizou repasses de R$40.111.826,92 ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados ao longo de 2024. Os valores foram identificados em declaração de Imposto de Renda do banco, cujo sigilo fiscal foi quebrado pela CPI do Crime Organizado do Senado.
Os pagamentos ocorreram por meio de 11 transferências mensais, no valor exato de R$3.646.529,72 cada. Sobre esses repasses, o banco reteve e recolheu R$ 2.466.877,38 em impostos.
O contrato entre o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, e o escritório foi firmado em 2024 e previa pagamentos mensais de R$3,5 milhões, o que totalizaria R$129 milhões em três anos (36 parcelas). Os repasses foram interrompidos em novembro de 2025, após a liquidação do conglomerado pelo Banco Central e a prisão de Vorcaro.
O escritório Barci de Moraes tem como uma das sócias Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em março deste ano, Viviane confirmou publicamente que o escritório prestou serviços de consultoria e assessoria jurídica ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
Segundo o escritório, os trabalhos envolveram 94 reuniões (79 delas presenciais na sede do banco), a elaboração de 36 pareceres jurídicos sobre temas como compliance, regulação bancária, questões trabalhistas e previdenciárias, além da participação de 15 advogados do próprio escritório e de três escritórios especializados. O escritório afirmou ainda ter auxiliado na implementação de um novo código de ética e conduta do banco, sem atuar em causas judiciais no âmbito do STF.
Procurado pela Folha de S. Paulo, que publicou a reportagem de Thaísa Oliveira, Carolina Linhares e Mateus Vargas, o escritório Barci de Moraes afirmou que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente”, lembrando que dados fiscais são protegidos por sigilo. O escritório não informou qual seria o valor correto dos pagamentos recebidos. O ministro Alexandre de Moraes não se manifestou sobre o caso.
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), questionou a proporcionalidade dos valores. “Só em um ano, R$40 milhões recebidos. Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valor”, declarou o senador durante sessão da comissão.
Os documentos da Receita foram entregues à CPI nesta terça-feira (7), após solicitação de complementação feita no dia anterior. Em dezembro de 2025, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou pedido de investigação sobre eventual atuação de Moraes no caso, alegando ausência de ilicitude que justificasse intervenção da PGR em negócios jurídicos entre particulares. A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos contatos da reportagem.

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