Jovens que nunca viram o Brasil campeão apostam em Neymar para sonhar com o Hexa
Grupo de amigos relata o peso de torcer por uma Seleção marcada por eliminações traumáticas contra europeus e revela por que o camisa 10 ainda é a maior bússola de esperança para o Mundial.
Há uma geração inteira que veste com orgulho a camisa de cinco estrelas da Seleção mais vitoriosa do futebol, mesmo sem nunca ter visto nenhuma delas ser conquistada. Para eles, o peso do pentacampeonato é construído apenas através das histórias contadas por pais e avós.
O grupo de amigos formado por Thiago Nadler, Roberto Friedheim e os irmãos Tiago e Matheus Fan, que se reúne para jogar futebol às quintas-feiras no Recife, faz parte dessa legião de torcedores que só vivenciou frustrações com o Brasil em Copas do Mundo.
As histórias que escutam, estreladas por Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Romário, Bebeto, Pelé, Garrincha, Rivelino, Nilton Santos e tantos outros, acabam perdendo espaço na memória para as traumáticas eliminações protagonizadas por carrascos como Sneijder, Klose, Courtois e Livakovic.
"A primeira lembrança que eu tenho foi da eliminação de 2018 para a Bélgica. Porque já estava um pouco maior, não era tão novo como em 2014. Eu acho que doeu mais também pelo contexto, com Courtois pegando aquela bola, as polêmicas de pênalti e por ter sido um jogo muito pegado, que deu a esperança ainda de o Brasil se classificar", lembra Matheus Fan, de 18 anos, em comparação à eliminação de 2014, por 7x1 contra a Alemanha.
Para o irmão, Tiago, por outro lado, a Copa no Brasil foi mais traumática também pela lesão de Neymar e a humilhação contra os alemães no Mineirão.
"A minha primeira lembrança é a lesão de Neymar em 2014, que quase fez ele parar de jogar. Foi muito marcante para mim, que foi a primeira Copa que eu lembro ter assistido, porque em 2010 eu era muito novo ainda, aí foi a mais marcante. E aí vem logo também a lembrança do 7 a 1, né? É, exatamente, que aí acho que foi a eliminação mais dolorosa, né? Porque, é, foi uma vergonha, ainda mais a Copa aqui no Brasil... é, foi a mais marcante para mim", lamenta Tiago.
Livakovic, Modric e os pênaltis no Catar em 2022 também guardam um lugar de trauma para os jovens.
"A eliminação mais traumática foi contra a Croácia. Faltavam quatro minutos, é duro. E Neymar não bater o pênalti também foi um crime, né? Devia ter começado", avalia Thiago Nadler.
UMA SELEÇÃO DIFERENTE DA DO PASSADO
A realidade dessa geração, que nasceu entre os anos de 2006 e 2008, é de uma Seleção Brasileira freguesa contra europeus. Não de uma que ganha no suor e na luta com o "Sai que é sua, Taffarel!" em 1994 ou no brilho técnico de Rivaldo e Ronaldo em 2002.
Essa distância entre o passado de glórias e o presente de incertezas é refletida na forma como esses jovens enxergam os atletas da Seleção atual. Ao ouvirem os relatos dos mais velhos, o contraste fica evidente.
"É, minha família, jornalista na internet, sempre fala que é outra pegada, os jogadores sentiam mais o peso da seleção. Parece que hoje em dia os jogadores não sentem tanto o peso, não têm essa ambição de jogar pela seleção. Acho que nos anos anteriores tinha mais essa raça, vontade de jogar", pontua Roberto Friedheim.
O sentimento é compartilhado pelos amigos. Há uma percepção geral de que a "Amarelinha" pesava mais nas costas das antigas gerações.
"O que mais me contam é do amor à camisa, que hoje fica mais difícil de ver nos jogadores, e também da qualidade do time, que antes tinha mais estrelas. Mas o principal de tudo é o amor à camisa, que eu acho que é o que mais falta hoje", afirma Matheus.
Igor Fonseca

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