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domingo, 24 de maio de 2026

E O POVO É QUEM PAGA

Auxílio-moradia custou R$800 milhões em dois anos no Itamaraty

Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. Foto: Xenia Antunes/Creative Commons


Gastos cresceram 15,2% de 2022 a 2025, acima da variação do dólar


As despesas do Ministério das Relações Exteriores com auxílio-moradia para diplomatas e servidores no exterior dispararam nos últimos anos e ultrapassaram a marca de R$ 800 milhões entre 2024 e 2025.

Os gastos cresceram 15,2% entre 2022 e 2025, percentual acima da variação cambial do dólar médio no período, que foi de 8,2%.

Dados do Itamaraty mostram que a dotação atualizada para o benefício chegou a R$ 355 milhões em 2023. Em 2024, o valor saltou para aproximadamente R$ 410 milhões e, em 2025, permaneceu em patamar semelhante, alcançando R$ 409 milhões.

A pressão sobre o orçamento levou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a solicitar em outubro de 2025 um crédito extraordinário de R$ 352 milhões aos ministérios da Fazenda, Casa Civil e Planejamento para quitar despesas da pasta nos meses de novembro e dezembro.

As informações foram fornecidas via Lei de Acesso à Informação e compiladas pelo Poder360.

O pagamento de moradia para diplomatas brasileiros no exterior existe desde 1990, mas a regulamentação formal do auxílio-moradia só foi implementada em 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O benefício é destinado a funcionários do Itamaraty em missão permanente ou temporária fora do país. O valor varia de acordo com o custo de vida do local, o cargo ocupado pelo servidor e fatores adicionais, como a presença de dependentes vivendo no exterior.

Segundo as regras do ministério, o auxílio é pago apenas quando não há imóvel funcional disponível ou em condições adequadas de uso.

O modelo funciona como reembolso: o servidor precisa comprovar a despesa para receber o valor.

Mael Vale

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