Lula ignora posse no Peru porque Keiko Fujimori é de direita
Posse ocorre no Dia da Independência do Peru e marca o início de um governo de direita no país vizinho
A nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, tomou posse nesta terça-feira (28), em Lima, marcando o início de um novo ciclo político no país após uma das disputas eleitorais mais apertadas da história recente. A cerimônia de investidura coincidiu com as comemorações pelos 205 anos da independência peruana.
Como Keiko é mais uma liderança da direita a assumir o poder de um país vizinho, Lula (PT) boicotou a cerimônia de posse, que contou com vários chefes de Estado, incluindo o presidente da Argentina, Javier Milei. O ministro das Relações Exteriores representou o governo brasileiro.
A lista de dignitários presentes também inclui o rei Felipe VI da Espanha e os presidentes José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Paz (Bolívia), Daniel Noboa (Equador), Nasry Asfura (Honduras), José Raúl Mulino (Panamá), Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai).
Aos 51 anos, Keiko Fujimori chega pela primeira vez à Presidência do Peru. Nascida em Lima, em 25 de maio de 1975, ela é a filha mais velha do ex-presidente Alberto Fujimori, que morreu em 2024, e de Susana Higuchi, falecida em 2021.
Durante a campanha, a presidente eleita apresentou um plano de governo com foco em três eixos principais: segurança pública, combate à corrupção e retomada do crescimento econômico.
Na área da segurança, Keiko propôs a criação de centros de comando e vigilância integrados em todo o território peruano, utilizando mapas de criminalidade em tempo real e ferramentas de inteligência artificial para análise preditiva e coordenação das forças de segurança.
No combate à corrupção, a nova presidente defendeu o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização dos gastos públicos e a ampliação das atribuições da Controladoria-Geral da República para aumentar a transparência e a eficiência na gestão dos recursos públicos.
Já na economia, Keiko prometeu reduzir a burocracia enfrentada por pequenas e médias empresas, simplificando processos administrativos para estimular investimentos, incentivar o empreendedorismo e diminuir os custos considerados desnecessários para o setor produtivo.
A eleição presidencial foi marcada por forte polarização e uma longa apuração dos votos no segundo turno. Keiko derrotou o deputado de esquerda Roberto Sánchez por uma margem estreita.
O resultado oficial foi confirmado em 3 de julho pelo Júri Nacional Eleitoral (JNE), encerrando semanas de expectativa e questionamentos sobre o desfecho da disputa.
Mael Vale

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