Ação retira mais de 460 kg de resíduos de manguezal no Recife, incluindo lixo hospitalar
Iniciativa realizada no Dia Internacional para a Conservação dos Manguezais encontrou seringas, medicamentos e até bolsas de soro fisiológico descartadas de forma irregular
Uma ação de limpeza promovida pelo projeto Xô Lixo retirou 462,5 quilos de resíduos de um manguezal na Rua da Aurora, área central do Recife, no domingo (26), em celebração ao Dia Internacional para a Conservação dos Manguezais.
Entre os materiais recolhidos, voluntários encontraram resíduos hospitalares, como seringas, medicamentos e bolsas de soro fisiológico ainda cheias, além de grande quantidade de embalagens plásticas e fragmentos de isopor.
A mobilização reuniu voluntários e contou com a participação dos coletivos Greenpeace Recife e Science Mob, além de colaboradores da empresa Liferay. Uma empresa privada também apoiou a iniciativa com a doação de mil sacos para a coleta dos resíduos.
Fundadora do projeto Xô Lixo, Laís Araújo afirmou que a presença de resíduos hospitalares continua sendo uma das situações que mais preocupam a equipe, mesmo após oito anos de atuação. “A gente sempre encontra resíduos hospitalares, seringas, remédios e, às vezes, medicamentos ainda fechados. Mas, dessa vez, o que mais me impressionou foi encontrar dois ou três sacos de soro fisiológico ainda cheios”, relatou.
Segundo ela, os materiais descartáveis de uso único continuam sendo os resíduos mais frequentes nos manguezais. “O que mais aparece são embalagens plásticas e muito isopor. O problema é que, com o tempo, o isopor vai se fragmentando em pedaços muito pequenos, que acabam sendo espalhados pela maré e se tornam praticamente impossíveis de recolher”, explicou.
Além das ações mensais de limpeza, o projeto desenvolve atividades de educação ambiental e climática em escolas. Entre elas está o jogo Educa Clima, criado pelo projeto para apresentar aos estudantes os impactos das mudanças climáticas em diferentes territórios, como comunidades pesqueiras, periferias, aldeias indígenas e regiões do Sertão.
De acordo com Laís, o objetivo é estimular crianças e adolescentes a compreenderem como eventos como enchentes, secas, desmatamento e inundações afetam diferentes populações e incentivar a construção de soluções para esses problemas.
Apesar dos oito anos de atuação do projeto, a fundadora afirma que a quantidade de lixo encontrada nos manguezais não diminuiu. Segundo ela, o grupo continua recebendo denúncias de novos pontos de descarte irregular no Recife.
“A gente coleta o lixo e, quando sai do manguezal, pouco tempo depois ele volta a aparecer. Por isso, o mutirão vai além da limpeza. É uma forma de denunciar o problema, mobilizar as pessoas e fazer com que elas passem a olhar para a cidade de outra forma”, disse.
Entre as áreas que mais preocupam o projeto está o trecho de manguezal da Rua da Aurora, entre a Ponte do Galo e a Ponte do Limoeiro, onde o acúmulo de resíduos é recorrente.
Laís também cita como pontos críticos a região da Capunga e o entorno do antigo Shopping Paço Alfândega, no Bairro do Recife, locais onde a equipe identifica frequentemente grande concentração de lixo.
Ela destaca que a preservação dos manguezais é essencial para a cidade, já que esse ecossistema desempenha papel na redução dos impactos das mudanças climáticas e ajuda a amenizar alagamentos e inundações. Para a fundadora do projeto, o combate ao problema passa pela limpeza e conscientização da população sobre o descarte correto dos resíduos.
Adelmo Lucena

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