Raquel Lyra aciona Justiça Eleitoral contra vereador que a chamou de "louca"
Maurílio Cavalcanti utilizou adjetivo em discurso na Câmara de Angelim; representação foi protocolada na Justiça Eleitoral neste sábado (22)
Uma representação criminal foi protocolada na Justiça Eleitoral pela defesa da governadora Raquel Lyra (PSD-PE), candidata à reeleição em Pernambuco, neste sábado (22), contra o vereador angelinense Maurílio Cavalcanti (PSB-PE).
Em discurso na plenária da Câmara de Vereadores de Angelim, no Agreste do estado, o parlamentar tecia crítica à gestora quando a chamou de "louca" e afirmou que "o dia dela está chegando". A sessão plenária foi realizada na quarta-feira (19) e transmitida em vídeo pelos canais oficiais da casa legislativa.
Na declaração, Maurílio Cavalcanti repercute a denúncia de que Lyra faria desvio de finalidade de um avião adquirido pelo governo do estado. "Pega o avião que é para usar na saúde e muda de configuração que é para fazer as visitas políticas dela", diz o parlamentar.
A fala do vereador se baseia em reportagem da Folha de S.Paulo, de junho, que aponta que uma aeronave modelo King Air 260 foi adquirida por R$ 64,2 milhões com recursos da Secretaria de Defesa Social, em 2025, para reforço da estrutura de transporte de pacientes e ampliação da capacidade de atendimento médico no estado.
De acordo com a reportagem, em dezembro daquele ano, o kit médico instalado no avião teria sido temporariamente removido para o transporte da governadora a Brasília, onde ela teria participado de reuniões políticas com o presidente Lula (PT) e com Gilberto Kassab, presidente do PSD, seu partido.
As declarações foram denunciadas como violência política de gênero, com base no artigo 326-B do Código Eleitoral. O dispositivo, incluído pela Lei Federal nº 14.192/2021, tipifica como crime condutas como constranger e humilhar candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato.
Em nota, a defesa de Raquel Lyra afirma que "a crítica política, a fiscalização e a divergência de opiniões são legítimas e fazem parte do debate democrático" e reitera que "a desqualificação pessoal de uma mulher, especialmente por meio de estereótipos, não pode ser naturalizada como instrumento de disputa política".
O vereador Maurílio Cavalcanti foi procurado pela reportagem mas até o momento não obteve resposta. O espaço permanece aberto.
Guto Moraes

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