Ex-chefe de gabinete de Lula pediu obra de arte de 100 mil euros a lobista
Mensagens obtidas pela PF mostram pagamentos envolvendo o ex-secretário particular
A Polícia Federal identificou novas mensagens que ampliam o conjunto de relações entre Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a empresária Roberta Luchsinger, investigada por suspeitas de tráfico de influência. Segundo informações divulgadas pelo Estadão, Marcola teria pedido à lobista uma obra de arte avaliada em cerca de 100 mil euros como presente.
O episódio aparece no contexto de uma investigação que já havia identificado pagamentos e outras despesas pessoais atribuídas a Marcola. A PF rastreou repasses que chegaram a aproximadamente R$249 mil.
O ex-assessor reconheceu ter recebido os valores, mas sustenta que o dinheiro correspondia a um empréstimo pessoal que já foi integralmente quitado.
A relação entre os dois ganhou atenção dos investigadores porque Roberta Luchsinger também é citada em apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A empresária é investigada por sua atuação em negociações relacionadas ao governo federal e por sua ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado no caso envolvendo descontos indevidos sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
As apurações indicam que a atuação de Roberta não se limitava a contatos privados.
Mensagens encontradas pela PF mostram que ela encaminhou a Marcola uma minuta de contrato relacionada à venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
O documento previa uma negociação sem licitação, embora o negócio não tenha sido concretizado. Marcola confirmou ter recebido a minuta, mas negou ter dado prosseguimento à proposta.
Outro ponto identificado pelos investigadores envolve presentes. Mensagens obtidas pela PF indicam que Roberta teria adquirido joias para Marcola, incluindo peças de diamantes.
As conversas mostram o então assessor participando da escolha dos itens.
O episódio se soma aos pagamentos de despesas pessoais que já estavam no radar da investigação.
Marcola ocupou a chefia de gabinete de Lula de janeiro de 2023 até 21 de julho de 2026.
No posto, era responsável por atividades diretamente ligadas à rotina presidencial, incluindo a organização da agenda e o contato com integrantes do governo.
Após deixar o cargo, passou a integrar a equipe da campanha de reeleição de Lula, mas posteriormente pediu para sair da estrutura eleitoral depois que os pagamentos feitos por Roberta vieram a público.
O governo também decidiu não reconduzir Marcola ao conselho de administração da Terracap.
A justificativa oficial apresentada pelo Palácio do Planalto foi a saída dele do governo.
Lula, por sua vez, defendeu o ex-assessor e afirmou que a Polícia Federal deve ter autonomia para conduzir as investigações.
O presidente também declarou que Marcola teria direito ao tempo necessário para apresentar sua defesa.
As novas informações sobre o suposto pedido de uma obra de arte de 100 mil euros acrescentam mais um episódio à apuração sobre a relação entre Marcola e Roberta.
A investigação ainda busca esclarecer a natureza dos pagamentos, dos presentes e dos contatos mantidos entre a empresária, o ex-chefe de gabinete e pessoas próximas ao presidente da República.
Até o momento, Marcola nega ter praticado qualquer ilegalidade no exercício de suas funções.
Pedro Taquari

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