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terça-feira, 25 de agosto de 2026

NO CAMPO COM O STF

Moraes pode pedir música no Fantástico

Moraes pode pedir música no Fantástico (Imagem ilustrativa) Foto: IA\Chat GPT

No time, que joga contra o Brasil e contra a democracia, o ministro é o artilheiro, o jogador mais caro



 Flávio Dino, numa das reuniões secretas da Corte, declarou-se integrante do “STF Futebol Clube”. Pode-se dizer que, nesse time, que joga contra o Brasil e contra a democracia, Alexandre de Moraes é o artilheiro, o jogador mais caro.

Mas, nesta semana, suas bolas-fora foram definitivamente expostas: três gols contra consecutivos que facultariam ao ministro pedir música no Fantástico e fizeram a Corte passar uma vergonha danada.

O primeiro deles foi contra a liberdade de imprensa. Moraes afirmou haver “indícios concretos” de que o jornalista Luís Pablo teria perseguido Flávio Dino. Com essa premissa, determinou buscas contra fontes do jornalista, atingindo a garantia constitucional do sigilo da fonte.

Quando o relatório da Polícia Federal foi revelado pela imprensa, estava claro que não havia elementos que demonstrassem o crime de perseguição. Ou Moraes não leu o relatório, ou não o entendeu, ou atribuiu ao documento uma conclusão que ele não contém. Em qualquer caso, algo grave para um ministro que possui diploma em Direito.

O segundo gol contra veio dos Estados Unidos. Em processo movido por Filipe Martins, o Judiciário norte-americano afirmou formalmente que era falso o registro migratório segundo o qual Martins teria entrado nos EUA. Foi esse dado que Moraes usou para justificar sua prisão preventiva.

Não é uma opinião dos EUA, mas uma confirmação, uma conclusão técnica do judiciário daquele país. Moraes privou um homem de sua liberdade amparado numa informação falsa.

O terceiro gol contra saiu da própria casa do ministro. Segundo a última coluna de Lauro Jardim, em O Globo, o jantar de 4 de agosto entre Moraes, Lula e Davi Alcolumbre, teria tratado de como fragilizar André Mendonça, relator dos casos Master e INSS, que abrigam investigações que alcançam pessoas próximas ao governo e podem bater à porta dos próprios ministros do STF.

Se a informação de Lauro Jardim for comprovada, se houve articulação de um ministro do STF com os presidentes da República e do Senado para enfraquecer investigações politicamente incômodas conduzidas por outro ministro, estaremos diante de interferência indevida na Justiça, que poderá configurar obstrução de justiça e é crime.

O STF Futebol Clube joga fechado e protege seus jogadores. A própria imprensa tende a afagar os craques, mesmo que eles joguem contra o Brasil e contra a democracia. Mas Moraes vem errando tanto que já não se sabe se acabará sendo rifado ou no banco de reservas.

André Marsiglia

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