GIF Patrocinador

GIF Patrocinador

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

LUTO NA POLÍTICA DE PERNAMBUCO

Morre o ex-ministro Raul Jungmann após anos de luta contra câncer

O ex-ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ex-ministro e ex-deputado federal, Raul Jungmann faleceu no Hospital DF Star, onde lutava contra um câncer no pâncreas


Após um longo período hospitalizado, ele havia recebido alta e estava em casa sob cuidados paliativos, mas voltou para o hospital no último fim de semana, não resistindo à doença.

Nascido no Recife em 3 de abril de 1952, Raul Jungmann iniciou sua trajetória política na juventude, militando no Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante o período de clandestinidade da legenda. Posteriormente, foi um dos fundadores do Partido Popular Socialista (PPS), onde permaneceu até 2018. O PPS foi rebatizado para Cidadania, atual nomenclatura.

Jungmann teve passagens por diversos cargos de administrações estaduais e federais. A primeira delas quando secretário de Estado de Planejamento no governo de Pernambuco, entre 1990 e 1991.

O legado de Raul Jungmann é marcado por sua contribuição significativa em temas como defesa, segurança e desenvolvimento agrário, refletindo mais de quatro décadas de dedicação à vida pública. Sua morte representa uma grande perda para a política brasileira, onde sua atuação firme e pautada por princípios deixou uma marca indelével.

Ministérios

Ele foi ministro em três oportunidades, primeiro durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e depois no governo de Michel Temer (MDB): Reforma Agrária (1999-2002), Defesa (2016-2018) e Segurança Pública (2018).

Ocupou mandato como deputado federal três vezes: 2003-2006 (PMDB), 2007-2010 (PPS) e 2015-2018 (PPS). Também presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), fundou e presidiu ONGs e integrou diversos conselhos de administração de organizações.

Desde março de 2022, Jungmann presidia o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), organização privada, sem fins lucrativos, com mais de 300 associados, responsáveis por 85% da produção mineral do Brasil.

“Sob sua liderança, o Ibram fortaleceu seu protagonismo institucional e seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade, a inovação e o papel estratégico dos minerais na transição energética global. Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira”, disse o Ibram numa nota em homenagem ao seu presidente, na noite deste domingo.

Segurança Pública

Entre as ações tomadas quando esteve à frente do Ministério da Segurança Pública, uma das mais relevantes foi a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) - que a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública elaborada pelo governo Lula tenta hoje incluir na Constituição Federal.

O Susp prevê que as polícias devem aprimorar o sistema de troca de informações entre os estados e agir de forma conjunta no combate ao crime.

A criação do sistema também estabeleceu que o cumprimento das metas estabelecidas pelo governo passasse a contar com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), além dos os fundos estaduais, distrital e municipais, asseguradas as transferências fundo a fundo.

A medida representou um ponto da virada na influência federal na área da segurança pública - cuja prerrogativa é dos governos estaduais, segundo a Constituição.

Em junho, durante um seminário na Universidade de Santo Amaro, em São Paulo, Jungmann fez coro ao então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski ao discursar sobre a fragilidade institucional da segurança pública no Brasil e defender a necessidade de mudanças estruturais no setor.

“A segurança pública não é estruturada em sistema. É o mais frágil comando constitucional. Como é possível confrontar o crime organizado, transnacionalizado, se nós não temos integração de inteligência, se nós não temos integração de coordenação de operações, o que é que os senhores acham que vai acontecer?”, questionou.

Movimentações políticas recentes

Na última entrevista que deu à Rádio Eldorado, Jungmann tratou do interesse dos Estados Unidos nos chamados minerais críticos e estratégicos (MCEs) existentes no território brasileiro. O ex-ministro disse na ocasião que a legislação brasileira não permite a exploração direta dos recursos minerais brasileiros por um país estrangeiro.

A negociação, se ocorrer, deve ser feita entre os dois governos, cabendo ao setor privado dialogar apenas com as empresas estrangeiras “que se submetam às regras brasileiras”, segundo Jungmann.

Sobre a tarifa de 50% anunciada pelo governo americano em julho, Jungmann esclareceu que as exportações para os Estados Unidos representavam 4% do total das vendas ao exterior, enquanto as importações chegavam a 20%.

Jungmann integrou um grupo de nove ex-ministros da Justiça num manifesto divulgado naquele mês em solidariedade ao Supremo Tribunal Federal e a seus magistrados, que tinham sido alvo de sanções de Donald Trump, com vistos americanos cassados.

O documento apontava “indevida coação’” e retaliação “à independência de contrariar interesses de grandes empresas norte-americanas”.

Diario de Pernambico e Estadão Conteúdo

Nenhum comentário:

Postar um comentário