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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

SPORT - JUSTIÇA

Veja quem acionou o clube e quais casos já foram resolvidos

Ilha do Retiro, estádio do Sport (Rafael Vieira/DP Foto)

Diretoria reduz dívidas com ex-atletas, mas ainda enfrenta processos em meio à temporada


Fora dos gramados, enquanto disputa o Campeonato Pernambucano, o Sport vive um período de ajustes. Entre atletas e até ex-dirigentes que recorreram à Justiça cobrando valores em aberto e uma sequência de rescisões amigáveis com redução significativa de passivos, o clube tenta reorganizar as finanças enquanto administra litígios e evita novas disputas judiciais.

A atual gestão de Matheus Souto Maior, eleita em dezembro do ano passado, tem realizado acordos parcelados e negociações extrajudiciais, mas ainda enfrenta processos relevantes que seguem em tramitação.

A sucessão de disputas revela o tamanho do desafio enfrentado pelo Sport em seu processo de reestruturação financeira. Enquanto tenta reduzir riscos jurídicos, bloqueios e encargos adicionais, o clube ainda lida com processos ativos que podem impactar o caixa.

Casos não solucionados e disputas judiciais

Entre as pendências ainda abertas, o caso do ex-diretor executivo de futebol Enrico Ambrogini é um dos que já tramitam na Justiça comum. O dirigente acionou o Sport na 31ª Vara Cível da Capital, no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), cobrando R$ 188.136,18 referentes à rescisão contratual e ao reembolso de despesas feitas durante sua passagem pelo clube. O valor inclui 10% da multa rescisória estipulada em R$ 300 mil, além do salário de dezembro. A ação não corre em segredo de justiça e não há pedido de liminar.

No elenco, o atacante Romarinho também acionou o clube e ingressou com pedido liminar de rescisão indireta. Com contrato até o fim da temporada, o jogador busca o desligamento após impasse envolvendo proposta de redução salarial de 50%. Ele chegou a treinar separado do grupo.

Situação semelhante envolve o atacante Pablo. O atleta de 33 anos recorreu à Justiça alegando dois meses de salários atrasados, incluindo valores trabalhistas e direitos de imagem, além de pleitear o pagamento integral do contrato vigente até dezembro de 2026. Fora dos planos para a temporada, ele não se reapresentou com o elenco.

Uma incógnita é o caso do meio-campista Sérgio Oliveira. O português anunciou nas redes sociais que rescindiu o vínculo, mas o encerramento contratual ainda não foi oficializado pelo clube. Se houver a confirmação de débitos pendentes, o desfecho pode ocorrer via acordo, como em outros casos, ou por meio de ação judicial.

Acordos firmados e passivos equacionados

Se por um lado há disputas em curso, por outro o Sport conseguiu avançar em uma série de acertos financeiros. Um dos casos de maior impacto foi o acordo judicial com o meia-atacante Matheusinho, que movia ação trabalhista no valor de R$ 2.106.866,66 no TRT-6. O atleta cobrava salários, direitos de imagem e FGTS em atraso.

O acerto prevê pagamento parcelado em seis vezes, com natureza indenizatória e sem reconhecimento de culpa por parte do clube. Após o acordo, o jogador rescindiu contrato e acertou com o Ceará.

Com o volante Lucas Kal, fora dos planos para 2026, o Sport também optou por rescisão amigável. O atleta abriu mão de mais de 90% das obrigações projetadas para o próximo ano, e o valor acordado será pago em dez parcelas a partir de julho de 2026. Segundo o clube, a medida evitou um custo até 84% maior em caso de judicialização.

O atacante Léo Pereira seguiu caminho semelhante. O acordo envolveu dois meses de salários CLT, quatro de direitos de imagem e 13º salário. Houve redução de 25% do passivo, parcelado em 14 vezes, além de economia superior a 55% em comparação a eventual disputa judicial.

Também houve composição com o lateral Aderlan, com redução superior a 20% da dívida e economia estimada em mais de 50% frente a possível ação judicial. O meia Lucas Lima rescindiu contrato com parcelamento dos valores de 2025 em 24 meses, em negociação que gerou redução nominal superior a 75% e economia acima de 85% em relação a cenário litigioso.

O lateral Ewerthon aceitou renunciar a 50% dos valores a receber, com pagamento parcelado e manutenção de 25% dos direitos econômicos pelo Sport. Já o goleiro Caíque França acertou rescisão amigável com parcelamento dos débitos, evitando multa rescisória e ação judicial, em operação que pode representar economia de até 90%.

No caso do volante Christian Rivera, maior investimento da história do clube (cerca de R$ 17 milhões por 75% dos direitos), o Sport negociou a transferência ao Pachuca, do México, repassando 2,8 milhões de dólares ainda devidos ao Tijuana e parcelando débitos de 2025. O clube estima economia aproximada de R$ 31 milhões considerando valores projetados até o fim do contrato.

Por fim, o Sport também estruturou acordo extrajudicial com João Silva, parcelando pendências em seis vezes, antes de emprestá-lo ao Tondela, de Portugal, sem opção de compra.

Gabriel Farias

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