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quarta-feira, 1 de abril de 2026

MANIFESTAÇÃO

Vigília no Recife denuncia avanço do feminicídio em Pernambuco

Manifestantes fazem vigília contra feminicídio no Recife (Foto: Crysli Viana/DP Foto)

Iniciativa busca mobilizar sociedade diante de números crescentes de feminicídio no estado


Uma vigília realizada na noite desta terça-feira (31), no Centro do Recife, marcou o início de uma série de mobilizações mensais contra o feminicídio e a violência de gênero. O ato aconteceu às 18h, em frente ao monumento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro.

A mobilização foi motivada por dados recentes da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), que apontam 18 feminicídios registrados apenas nos dois primeiros meses de 2026 no estado. No mesmo período, mais de 8 mil casos de violência doméstica e familiar foram contabilizados, uma média de cerca de 137 ocorrências por dia. Em âmbito nacional, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número dos últimos anos.

Organizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal, a iniciativa deve ser feita sempre na última terça-feira de cada mês, com o objetivo de cobrar ações do poder público e ampliar a conscientização da sociedade sobre a violência contra mulheres.

Presidente da comissão, a vereadora Cida Pedrosa destacou o caráter contínuo da mobilização e a gravidade dos índices. “Nós vamos fazer a vigília a partir de hoje, toda última terça-feira de cada mês. A ideia é criar um movimento para que mais e mais mulheres protestem contra essa pandemia de mortes”, afirmou.

Ela também chamou atenção para o avanço de discursos de ódio, especialmente no ambiente digital. “Antigamente, a gente dizia que, a cada oito minutos, uma mulher era estuprada. Agora, é a cada seis. Então, é uma violência que está crescendo. O movimento redpill na internet também cresce junto, onde você tem adolescentes e jovens sendo formados para a violência. Eles são guiados por homens mais velhos para odiar e subjugar mulheres, para criar uma situação em que elas estejam em condição de subalternidade. E isso é muito grave”, completou.

Ela reforçou ainda a necessidade de enfrentar as raízes estruturais do problema. “Então, o feminicídio é um tipo de crime em que as mulheres morrem por serem mulheres, e isso é alimentado por uma sociedade misógina e machista, que a gente precisa combater, principalmente aqui no estado de Pernambuco. É responsabilidade do poder estadual cuidar das mulheres”, afirmou.

A expectativa das organizadoras é que as vigílias sejam um espaço permanente de denúncia e mobilização social diante do aumento dos casos de violência contra mulheres no estado.

A professora e servidora pública Kátia Barbosa, de 58 anos, esteve presente no ato e acredita que os casos de feminicídio aumentam por falta de humanidade para com as mulheres.

“Chega uma hora que a gente não aguenta mais tanta matança de mulheres. Eu acho uma contradição, porque a gente ainda é um estado que faz frente a um governo democrático. A gente pode pensar diferente, ter gostos diferentes, conviver com a diferença, simplesmente se respeitar, se ver como humano. E eu acho que a gente está num retrocesso”, afirma.

Adelmo Lucena

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