Ciclone-bomba causa destruição, tornado e suspensão de aulas no Brasil
Temporais atingem Sul e Sudeste, deixam mortos e feridos e mobilizam autoridades diante de ventos acima de 100 km/h
O avanço de um ciclone-bomba pelo Sul do Brasil provocou uma sequência de eventos meteorológicos severos e levou autoridades de diferentes estados a adotar medidas preventivas nesta sexta-feira (7).
Entre os principais registros estão um tornado no Rio Grande do Sul, fortes rajadas de vento, queda de granizo, destelhamentos, interrupção de energia e suspensão de aulas em municípios do Sul e do Sudeste.
No Rio Grande do Sul, os efeitos foram mais graves.
Um tornado associado a uma supercélula formada durante a atuação do sistema atingiu a área entre Pedro Osório e Pelotas.
O fenômeno provocou danos em imóveis, derrubou árvores e contribuiu para interrupções no fornecimento de energia
Até a atualização mais recente, uma pessoa havia morrido e cinco ficaram feridas em decorrência dos temporais no estado.R
A vítima fatal foi registrada em Montenegro, após ser atingida pela queda de uma árvore.
A Defesa Civil contabilizou ocorrências relacionadas ao mau tempo em 118 municípios gaúchos.
Os estragos também atingiram residências e estruturas públicas.
Foram registrados alagamentos e danos em imóveis e escolas em municípios como Uruguaiana, Erechim, Caçapava do Sul e Chuí.
Em Novo Hamburgo, 120 casas ficaram destelhadas.
Também houve registros de granizo em diferentes localidades do estado.
A previsão mantém o Rio Grande do Sul em situação de atenção para novos episódios de chuva intensa e ventos fortes.
As rajadas podem superar 90 km/h em determinadas áreas, enquanto a passagem do sistema continua produzindo efeitos sobre o tempo na região.
Os reflexos do ciclone também chegaram ao Sudeste.
No Rio de Janeiro, a previsão de ventos fortes levou o governo estadual e a prefeitura da capital a suspender as aulas da rede pública nesta sexta-feira.
A UERJ também interrompeu as atividades presenciais em seus campi.
A capital fluminense entrou em Estágio 2 de risco, e a Defesa Civil passou a emitir alertas diretamente para celulares.
As autoridades recomendaram que a população evitasse deslocamentos desnecessários e procurasse locais seguros durante os períodos de maior intensidade dos ventos.
Ainda no Rio, prefeitura e governo estadual recomendaram a antecipação do encerramento de atividades não essenciais para facilitar o retorno da população para casa.
A medida ocorreu depois do registro de rajadas de 74 km/h na Costa Verde, enquanto as previsões apontavam possibilidade de ventos ainda mais fortes.
No litoral de São Paulo, Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião, Bertioga e Itanhaém suspenderam as aulas da rede municipal como medida preventiva diante da previsão de rajadas superiores a 60 km/h.
Santos registrou uma das maiores velocidades de vento do episódio no estado: 109 km/h durante a manhã.
Apesar da intensidade da ventania em Santos, o registro foi de curta duração e não provocou grandes estragos.
Uma árvore caiu em uma área residencial, mas não houve vítimas.
A Defesa Civil paulista também disparou alertas severos para celulares em 24 regiões do estado, incluindo áreas do interior, Vale do Ribeira e litoral.
Para o litoral paulista e fluminense, as projeções indicavam rajadas entre 90 km/h e 110 km/h ao longo da sexta-feira.
A combinação entre ventos fortes, chuva e a passagem de uma frente fria aumentou o risco de quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e transtornos no trânsito.
O chamado ciclone-bomba é resultado de uma intensificação muito rápida de um sistema de baixa pressão atmosférica, fenômeno conhecido tecnicamente como ciclogênese explosiva ou bombogênese.
Para receber essa classificação, a pressão central do sistema precisa cair pelo menos 24 milibares em um intervalo de 24 horas.
Depois da passagem do sistema, a tendência é de avanço de uma massa de ar frio.
A queda das temperaturas deve se tornar mais acentuada no Sul a partir de domingo (9), com o frio posteriormente avançando para áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.
Embora o ciclone já esteja se afastando do território brasileiro em direção ao Atlântico Sul, ainda há possibilidade de impactos associados aos ventos e às tempestades em áreas do Sul e do Sudeste.
As autoridades orientam a população a acompanhar os comunicados oficiais, já que a intensidade e a trajetória dos sistemas meteorológicos podem sofrer alterações.
Pedro Taquari

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