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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

DIREITA AMPLIANDO ESPAÇO

Vantagem de Lula sobre Flávio cai em 98% dos municípios do Nordeste, aponta jornal

Manifestação pró-Flávio Bolsonaro(PL) em Arapiraca, interior de Alagoas - Foto: reprodução do site Poder82.


Melhor desempenho de Flávio Bolsonaro ocorreu em Alagoas, Estado do vice Alfredo Gaspar


Levantamento do jornal Folha de S.Paulo mostra que a diferença de votos entre Lula (PT) e os candidatos da família Bolsonaro caiu em 98% das cidades nordestinas na comparação entre os primeiros turnos de 2022 e 2026. A região continua sendo o principal reduto do petista, mas Flávio Bolsonaro (PL) avançou de forma expressiva, especialmente em municípios pequenos e médios ligados ao agronegócio e em cidades que passaram a ter prefeitos de oposição ao PT.

No Nordeste, Lula obteve 21,5 milhões de votos em 2026, enquanto Flávio chegou a 10,4 milhões — um crescimento de 18,3% em relação à votação de Jair Bolsonaro na região há quatro anos. O melhor desempenho de Flávio entre os nove estados foi em Alagoas, Estado do deputado Alfredo Gaspar (PL), seu vice, seguido de Rio Grande do Norte e Paraíba. Ao todo, ele venceu em 15 cidades nordestinas que Jair não havia conquistado em 2022. A maior mudança ocorreu em Balsas (MA), cidade do sul do Maranhão com forte presença do agronegócio.

Em Dom Macedo Costa (BA), município de cerca de 4,4 mil habitantes no Recôncavo Baiano, Lula passou de 71,5% dos votos em 2022 para 59,3% em 2026, enquanto Flávio chegou a 35% (contra 23,5% de Jair). A vantagem do petista, que era de 48 pontos, caiu para cerca de 24. A cidade, que dependia fortemente de transferências federais e tem base na pecuária e agricultura de subsistência, viu bandeiras verde-amarelas e comitês de apoio a Flávio se espalharem. O prefeito Tote Fróes (União Brasil) apoiou o candidato do PL e atribuiu o movimento ao desgaste do PT após anos no poder.

Situação parecida ocorreu em Caldeirão Grande (BA), no sertão, onde o prefeito Pedro Henrique Bezerra (PP) apoiou Flávio. Lá, a vantagem de Lula caiu de 64 para 39 pontos percentuais. O mesmo padrão se repetiu em cidades produtoras de grãos do oeste baiano, como Formosa do Rio Preto e Baianópolis, e em Barra da Estiva, na Chapada Diamantina.

Em Baixa Grande do Ribeiro (PI), no sul do Piauí, a diferença entre Lula e os Bolsonaro encolheu cerca de 29 pontos. A cidade, com economia ancorada na soja, teve mobilização mais intensa da militância de direita, com carreatas e paredões de som — algo que não ocorreu com a mesma intensidade em 2022.

Na direção oposta, Lula ampliou sua margem em apenas 30 dos cerca de 1.794 municípios nordestinos. Os maiores aumentos ocorreram em cidades do Piauí, como São Julião e Pedro Laurentino, e em municípios do sul da Bahia, como Itaju do Colônia e Pau Brasil.

O levantamento indica que, embora o Nordeste ainda garanta a Lula uma liderança folgada, a direita ganhou espaço nas ruas e no interior, impulsionada por prefeitos aliados e por setores ligados ao agronegócio. A militância bolsonarista se mostrou mais organizada neste ciclo, enquanto parte do eleitorado petista tradicional permanece fiel, especialmente entre beneficiários de programas sociais.

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