Alex Campos deixa Compesa na reta final da concessão
Na reta final do processo de concessão da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), o presidente Alex Campos vai deixar a instituição. A informação foi obtida com exclusividade por este blog, ontem (15). Alex Campos recebeu um convite irrecusável do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para voltar a trabalhar na área privada, atuando na ponte aérea Brasília/São Paulo.
Embora a proposta tenha sido vantajosa, não há como negar que Campos é mais um a deixar o governo de Raquel Lyra (PSD) por iniciativa própria. O presidente da Compesa, inclusive, sempre foi contra privatizar a Companhia, mas precisou defender o projeto enquanto membro da gestão.
A governadora está perdendo mais um quadro extremamente qualificado porque não sabe valorizar ninguém. Foi assim com Evandro Avelar, o melhor auxiliar na gestão de João Lyra, que, como tantos outros, não contou com o que há de mais elementar num governo e numa equipe: autonomia para cumprir a missão.
Tudo bem que Alex, como profissional liberal e com um currículo invejável — a governadora o tirou de uma diretoria da Anvisa — tenha todo o direito e liberdade de optar pelo melhor em se tratando de salário na sua carreira, mas há algo no ar, além de avião de carreira.
É de se estranhar que Alex, o condutor da privatização da Compesa, abandone o barco justamente no momento em que o processo está para ter desfecho. Algum ruído está ocorrendo. Aliás, da forma como está andando o modelo de concessão ou privatização da estatal, só agrada mesmo à própria governadora. Mais ninguém.
Na partilha do que os municípios terão direito ainda se a concessão vier a ser concretizada, os números não satisfazem a nenhum prefeito, o que pode ocasionar uma onda de judicialização, como ocorreu em São Paulo e recentemente em Alagoas. Alex, segundo o blog apurou, não estava indo a eventos importantes da própria estatal.
Recentemente, a governadora inaugurou um sistema de abastecimento de água no Sertão, mas sem a presença dele. Experiente e bem articulado no plano nacional, Alex já teria percebido também que a privatização, da forma como a governadora impõe, sofrerá restrições nos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Relembrando
O número de secretários que deixaram seus cargos na gestão de Raquel chegou a 10, sendo que, na maioria dos casos, os motivos alegados envolvem dificuldades de relacionamento com o Palácio. O último havia sido o ex-secretário de Educação Alexandre Schneider, que pediu demissão em janeiro deste ano, após seis meses na pasta, e saiu do governo alegando “que há valores que são inegociáveis”.
Por Larissa Rodrigues

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