Operação sem refino aciona Interpol contra dono da Refit
Investigação sobre rombo de R$52 bilhões coloca empresário na mira de 196 países por ordem do STF
A Polícia Federal encaminhou à Interpol o pedido de inclusão do empresário Ricardo Magro, controlador do grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), na Difusão Vermelha da organização internacional.
O procedimento cumpre uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expedida logo após a deflagração da Operação Sem Refino.
A medida visa garantir a localização e a captura imediata do empresário, que reside no exterior há pelo menos dez anos, com residência fixa em Miami, nos Estados Unidos.
A ofensiva da corporação apura um sofisticado e bilionário esquema de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e sonegação de impostos no setor de combustíveis.
De acordo com as investigações conduzidas pelas autoridades federais, o grupo econômico liderado por Magro é apontado como um dos maiores devedores tributários do país, acumulando um passivo e prejuízos estimados em R$52 bilhões aos cofres públicos.
Com o acionamento da Interpol, a PF solicita formalmente que as forças de segurança de 196 países cooperem na busca pelo investigado.
A decisão judicial que embasou o pedido de prisão preventiva e o alerta internacional também determinou medidas severas contra a estrutura financeira do grupo, incluindo o bloqueio de R$52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas.
Além disso, a operação realizou mandados de busca e apreensão que atingiram agentes públicos do Rio de Janeiro, incluindo o ex-governador Cláudio Castro, para apurar eventuais conexões com as facilidades fiscais concedidas à refinaria.
Esta não é a primeira vez que o controlador da Refit entra no radar da justiça brasileira e de órgãos internacionais.
Em 2016, Ricardo Magro chegou a ser preso pela Polícia Federal sob a acusação de envolvimento em fraudes que lesaram os fundos de pensão Petros e Postalis em cerca de R$90 milhões.
O nome do empresário também constou nos registros internacionais do caso Panama Papers, associado a seis empresas offshore utilizadas para a movimentação de recursos em paraísos fiscais, além de investigações anteriores sobre supostas irregularidades e redes de blindagem junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP).
A defesa do grupo Refit tem sustentado que as pendências tributárias remanescentes são fruto de passivos herdados de gestões anteriores e que a atual administração da companhia vem adotando medidas administrativas e judiciais para a regularização dos débitos.
Segundo notas emitidas pela empresa, somente no último exercício financeiro, o conglomerado realizou o pagamento de aproximadamente R$1 bilhão em tributos devidos ao Estado do Rio de Janeiro.
Pedro Taquari

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