Delação de empresário ligado a Vorcaro cita malas de dinheiro
Nesta quarta-feira (9), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou a delação do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, que relatou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro entre 2020 e 2025.
Segundo o empresário, parte das operações envolvia a entrega de dinheiro em espécie. Ele afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que malas com valores entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão eram entregues ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, além de motoristas ligados a Zettel e ao ex-banqueiro.
Freixo Junior, conhecido como Mineiro, também apresentou recibos de compras de malas feitas pela internet. De acordo com o delator, os objetos eram adquiridos especificamente para armazenar o dinheiro que seria utilizado em “pagamento de comissões e vantagens indevidas”.
Para conseguir os valores em espécie, o empresário afirmou que recorria a três operadores. Depois, fazia transferências bancárias para empresas indicadas por eles. Uma dessas companhias, segundo o relato, é uma distribuidora de combustíveis que já apareceu em investigações da Operação Carbono Oculto, em São Paulo.
As solicitações de dinheiro vivo, conforme a delação, eram feitas pelo próprio Vorcaro, por seu sócio Augusto Lima e, posteriormente, por Fabiano Zettel. O empresário afirmou que os pedidos faziam parte das operações que realizou para o grupo ligado ao ex-dono do Banco Master.
PAGAMENTOS NAS BAHAMAS
O acordo também cita operações realizadas fora do Brasil. Freixo Junior afirmou que fez pagamentos no exterior, a mando de Vorcaro, por meio da Entre Investiments and Arbitrage Ltd., empresa sediada em Nassau, nas Bahamas.
Segundo o empresário, Vorcaro encaminhava “invoices”, ou faturas, com as instruções para os pagamentos. Freixo Junior, porém, disse não ter detalhado quem eram os beneficiários dessas transferências.
A Polícia Federal investiga se parte dos recursos mantidos no exterior, inclusive nas Bahamas, foi destinada ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, ou a pessoas relacionadas a ele.
REPASSES PARA O FILME
Entre as operações descritas na delação estão sete transferências para o Havengate, fundo usado para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Os pagamentos ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e somaram 12,3 milhões de dólares, cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano.
Freixo Junior afirmou que os repasses foram determinados por Vorcaro e que não sabia qual seria a destinação final do dinheiro. Ele entregou à PGR comprovantes das transferências e e-mails trocados com Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A previsão inicial, segundo o delator, era de que cerca de 24 milhões de dólares fossem enviados ao fundo entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Apenas sete transações, contudo, foram realizadas.
O acordo de delação de Freixo Junior foi firmado com a PGR em 8 de agosto, após cerca de quatro meses de negociações. O advogado do empresário, Marco Petrelluzzi, afirmou que não comentará o caso por causa do segredo de Justiça. As informações são do G1.
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