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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

ELEIÇÕES 2026

Troca de acusações e herança política marcam debate entre candidatos ao Governo de Pernambuco

Candidatos ao governo de Pernambuco (Sandy James/DP Foto)

Evento promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diario de Pernambuco e a TV Nova Nordeste, elevou o tom da disputa eleitoral com embates diretos


O segundo debate entre os candidatos ao governo de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL), nesta quinta-feira (17), em Caruaru, no Agreste pernambucano, foi palco de mais um confronto político. O evento, promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diario de Pernambuco e a TV Nova Nordeste, elevou o tom da disputa eleitoral com embates diretos centrados em acusações, gestões anteriores e citações a um suposto "gabinete do ódio".

A governadora e candidata à reeleição aproveitou parte dos blocos de confronto direto para trazer à tona o debate sobre a segurança no exercício da cidadania e a lisura do processo eleitoral. Na ocasião, ela citou episódios de violência política e reafirmou acusações contra o PSB apontando práticas que, segundo ela, buscam desestabilizar o pleito. 

"Estão incitando violência na rua, que se pratique violência contra nós e contra a minha campanha. O que é que a gente tem feito? Trabalhado. Trabalhado propostas e entregue a Pernambuco o maior investimento da sua história”, disse a governadora.

Por outro lado, o candidato João Campos (PSB) rebateu as declarações cobrando explicações sobre a condução administrativa do governo e trazendo novamente à tona a questão do chamado "gabinete do ódio", apontando que a adversária se utiliza de estruturas de disseminação de ataques virtuais.

"Desde o início de 2025 eu tenho sido vítima de ataques recorrentes na rede social. Denunciamos o 'gabinete do ódio', supostamente constituído no entorno do Palácio do Campo das Princesas, e a Polícia Federal está investigando esses ataques que afrontam a democracia”, falou.

“Eu sempre fui contra as bets. Fui delegada da Polícia Federal e sei que esse tema é tratado diretamente pelo crime organizado no Brasil. Bets e crime organizado. Não é que seja unanimidade para todas as empresas de apostas, mas cristalizar o crime organizado do Brasil não é um bom caminho. E as bets são um caminho para isso”, declarou a candidata à reeleição. 

Paulo Câmara no centro do debate

Tentando se distanciar da polarização protagonizada por Raquel e João, Ivan buscou ocupar um espaço crítico no debate. Em suas intervenções, Ivan apontou semelhanças nas práticas políticas dos dois principais concorrentes. Em determinado momento da dinâmica, Ivan direcionou provocações a João ao relembrar e associar o oposicionista às heranças da gestão do ex-governador Paulo Câmara, que comandou o estado por dois mandatos.

“Vejam como meus adversários são semelhantes. Que carreira, João. A pergunta foi sobre o governo do qual você foi chefe de gabinete. Foi teu primeiro emprego, recém-saído da faculdade. Você fez parte do governo anterior. Se há problema de gestões passadas, você é parte desse problema, assim como a candidata Raquel Lyra, que fez campanha para Paulo Câmara. O modelo de desenvolvimento de Pernambuco tem que mudar”, apontou o pessolista.

Disputa presidencial

Ao ser questionado pelo Diario de Pernambuco sobre governabilidade, em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL), João destacou não ter dúvidas sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu tenho uma alegria muito grande de poder ser candidato ao governo do estado de Pernambuco, contando com o apoio do presidente Lula. Eu tenho certeza de que juntos nós vamos fazer muito por Pernambuco”.

João também ressaltou que pretende buscar a parceria com o governo federal para obras no estado citando mais uma vez a Transnordestina. “Tive a oportunidade, como prefeito, de governar com presidentes diferentes e posso testemunhar que é muito melhor ter Lula presidente", afirmou.

Logo Caruaruense

Em outro momento de embate entre Raquel e João, o candidato da Frente Popular questionou a governadora sobre direitos trabalhistas e sua relação com a Logo Caruaruense, empresa de transporte que pertenceu a João Lyra.

“A candidata falou no debate que Pernambuco conhecia ela, falou do currículo e omitiu a parte enquanto empresária, enquanto a candidata foi por mais de 10 anos dona de uma empresa de ônibus. Porque, enquanto esteve como dona da empresa de ônibus, não garantiu os direitos trabalhistas, inclusive com condenações na Justiça do Trabalho pelo não pagamento de férias, 13º e trabalhadores trabalhando sem carteira assinada”, afirmou o socialista.

Em resposta, a governadora salientou que integrou o quadro societário até 2016. “Ela foi sócia dessa empresa. Tem processos muito graves que respondem, que já foram julgados na Justiça e que condenaram a empresa. Agora você tem que saber a verdade para poder escolher quem pode fazer mais por Pernambuco", disse o ex-prefeito.

Elaine Guimarães

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