Vorcaro disse à PF não lembrar que enviou mensagens a Moraes
Daniel Vorcaro Foto: Reprodução/YouTube / InvestNews BR
Ao ser questionado sobre o destinatário, o ex-banqueiro tergiversou
Durante depoimento prestado no dia 28 de agosto, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi confrontado pelo delegado da Polícia Federal Albert Paulo Sérvio de Moura com uma mensagem enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em 30 de outubro de 2025.
O conteúdo, extraído do bloco de notas do celular do banqueiro, tratava-se de um pedido para que Moraes o protege-se das investigações, articulando apoio junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O objetivo era conter os avanços da investigação antes de uma negociação financeira do banco com investidores dos Emirados Árabes.
– É importante reforçar com Andrei e Paulo para nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco – disse Vorcaro na mensagem enviada a Moraes.
No depoimento, o delegado questionou quem eram Andrei e Paulo e se ele se lembrava para quem a mensagem havia sido enviada. Vorcaro afirmou que não recordava, e acrescentou que daria esclarecimentos formais assim que pudesse averiguar as informações.z
A PF também questionou sobre outra pessoa citada por ele nas mensagens com Moraes, identificada como “G”. Na mensagem, o ex-banqueiro dizia:
– O problema agora é que tive informações informais e em confidencia da turma do banco central, que G e os diretores estao na pressao maxima de novo pra uma medida, pois o bacen esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim.
No interrogatório, o delegado indagou:
– O senhor fala sobre uma viagem a Abu Dhabi, fala sobre o fundo garantidor de crédito, continua citando o “G” e faz referência a outras pessoas, Andrei, Paulo, enfim. Eu quero que o senhor explique o que é essa nota aqui também – adicionou.
Daniel Vorcaro confirmou que o “G” era o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A divulgação dos vídeos e dos relatórios decorre da retirada do sigilo dos autos no STF pelo ministro André Mendonça.
Thamirys Andrade
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