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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

GOVERNISTAS PODEM

Emendas de R$100 mil bancaram gravações de podcast de Manuela D’Ávila

Ex-deputada federal e pré-candidata ao Senado no RS, Manuela D’Ávila - Foto: redes sociais.

Suspeita de uso de emendas para produção do filme "Dark Horse", sobre Bolsonaro, motivou operação da PF hoje


O Instituto E Se Fosse Você, fundado pela ex-deputada e candidata ao Senado Manuela D’Ávila (Psol-RS), recebeu R$100 mil de emenda parlamentar para produzir cinco episódios do podcast “ElaPod – Vozes das Mulheres”, apresentado pela própria Manuela — o equivalente a R$20 mil por episódio. A denúncia foi da deputada Bia KLcis (PL)., candidata ao Senado no Distrito Federal. Suspeita semelhante motivou a operação policial, ordenada pelo ministro do STF Flávio Dino, contra produtores do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Como Manuela, Dino militou durante anos no mesmo partido, o PCdoB.

A emenda foi indicada pela deputada Carol Dartora (PT-PR) e chegou à ONG por meio de convênio com o Ministério da Igualdade Racial. O termo de fomento especifica o apoio à produção e difusão do podcast no Paraná. O pagamento ocorreu em 16 de janeiro de 2026. O primeiro episódio, com a ministra Marina Silva e a ex-deputada Áurea Carolina (hoje candidata ao Senado pelo Psol-MG), teve pouco mais de 4 mil visualizações no YouTube. Outros episódios reuniram Kátia Abreu, Joice Hasselmann e a própria Dartora. Em pelo menos quatro episódios, convidadas manifestaram apoio explícito à candidatura de Manuela ao Senado, segundo a representação de Bia Kicis ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Kicis afirma que o programa tem “caráter personalíssimo”, vinculado à imagem da fundadora, e que o instituto recebeu mais de R$4 milhões em recursos públicos de emendas nos últimos anos, com indícios de uso em promoção política e eleitoral. A parlamentar cobrou fiscalização “com rigor e sem seletividade”.
Em nota, Manuela D’Ávila disse que não foi notificada pelo TCU, que o instituto é sustentado basicamente com recursos próprios (incluindo venda de livros e produtos) e que o podcast convida mulheres de diferentes espectros políticos para falar de política. Ela afirmou estar afastada da organização por causa da campanha eleitoral e que o projeto não nasceu para esta eleição. “Mulheres falando de política não são uma irregularidade. São democracia”, escreveu.
A revelação ocorre no mesmo dia em que o ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a Operação Make Up da Polícia Federal, com 49 mandados de busca e apreensão contra ONGs ligadas à produtora do filme Dark Horse e ao deputado Mário Frias (PL-SP). A decisão cita emendas de parlamentares do PL, inclusive menção a Kicis. A oposição classificou a ação como seletiva e pediu o mesmo rigor para casos envolvendo  governistas.
O episódio reacende o debate sobre destinação de emendas a entidades do terceiro setor ligadas a políticos, tema que o STF já restringiu em decisões contra nepotismo e falta de transparência. O TCU e órgãos de controle ainda não se pronunciaram publicamente sobre a representação contra o instituto de Manuela.

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