Correios estão falidos e sindicalistas decretam greve por reajuste e regalias
São 15 trimestres seguidos no vermelho, só no primeiro semestre de 2026 foram R$5,6 bilhões de prejuízo
Funcionários dos Correios iniciaram nesta sexta-feira (11) uma greve por tempo indeterminado em todo o Brasil. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10) por sindicatos de todos os estados, segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), ignorando a grave crise enfrentada pela estatal, virtualmente falida e registrados prejuízos bilionários a cada balanço. Somente no primeiro semestre deste ano os prejuízos somaram R$5,6 bilhões.
Segundo a Findect, a decisão “marca uma nova etapa da Campanha Salarial, após as negociações terminarem sem acordo”. A federação afirma que um dos principais pontos de impasse é a proposta de mudança no plano de saúde dos funcionários, cujos custos se tornaram insuportáveis para a empresa. As negociações contaram com mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas a empresa teria mantido sua posição sobre o tema, de acordo com a entidade.
Em nota, os Correios disseram ter adotado um “Plano de Continuidade de Negócios” para reduzir os impactos da greve aos clientes.
“Entre as ações estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e a adoção de medidas logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país”, informou a estatal.
Crise financeira
Os Correios acumulam quinze trimestres consecutivos de prejuízo. No primeiro semestre deste ano, a estatal registrou perda de R$ 5,6 bilhões.
O resultado do segundo trimestre, porém, foi menor que o dos dois períodos anteriores — primeiro trimestre de 2026 e quarto trimestre de 2025 —, sinalizando uma recuperação parcial após o prejuízo recorde registrado no início do ano. A empresa aguarda ainda a liberação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, previsto para até 15 de setembro, como parte do esforço para equilibrar as contas.
Davi Pereira

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