A COMPRA DE UM PARTIDO POR ALEXANDRE DE MORAES
Relato pessoal - o partido que Alexandre de Moraes "comprou"
Em 2022, uma pré-candidata a deputada federal do PRTB por São Paulo chamou a mim e uma colega para sermos testemunhas de uma reunião com a viúva de Levi Fidelix, Aldineia Fidelix. O recado foi claro: a conversa seria importante, urgente e séria, por isso fomos chamados pela candidata para estarmos presentes. Eu já havia conhecido a viúva num aniversário e, pela futilidade e vazio intelectual da senhora, pensei que ela ia, no máximo, exigir comprometimento na campanha para ter mais fundo eleitoral – só para ela poder renovar suas bolsas e sapatos.
Na eleição de 2018, o partido não elegeu nenhum deputado sequer, e todos que estavam no PRTB sofriam pressão para não repetir o mesmo nas eleições de 2022, pois corria o risco de perder de vez o tempo de TV. Mas de fato o assunto da reunião era mais sério do que eu esperava: direta ao ponto, Aldineia disse que ela havia acabado de fechar um acordo com Alexandre de Moraes e que o partido, que sempre se apresentou como sendo de direita, estava proibido de fazer propaganda para a... direita. Oi? Como assim?
Naquele ano, todos os 106 candidatos foram escolhidos justamente por serem anti-PT ou apoiadores de Bolsonaro. Muitos ali tinham chances reais de ganhar. Janaina Paschoal (que não era Bolsonarista, mas antipetista) se candidatou para o senado pelo partido e não levou.
A ordem a partir daquele dia: estava proibido ter banner, postagem ou arte elogiando Bolsonaro. Criticar estava liberado. O pedido de Aldineia foi o de produzir artes e santinhos... nas cores verde e amarelo, mas sem imagem de Bolsonaro. Aldineia disse para a candidata continuar usando camisetas do Brasil. Claro, ficamos chocados. Mas nem dava tempo de trocar de partido. A minha colega que estava presente passou dias insistindo para que eu denunciasse ou fizesse uma postagem sobre isso. Não o fiz em lealdade à candidata, que me chamou por ter confiança em mim, e só estou falando isso 3 anos depois porque a então candidata fugiu da política.
Mas o que mais me chamou a atenção naquele dia foi que, antes disso, havia de fato muita pressão para eleger o máximo de candidatos possível.
Como foi o acordo com Moraes? Quanto o partido recebeu por isso? Quem pagou?
Teve chantagem?
Caso os 106 candidatos tivessem ganhado, o partido receberia cerca de 235 milhões em fundo partidário por ano, totalizando aproximadamente 940 milhões nos 4 anos (considerando o fundo total anual de cerca de R$ 1,185 bilhão, conforme dados do TSE para 2023).
Aldineia parecia feliz naquele dia e, dias depois, embarcou para Brasília com sua sua filha até a posse de Moraes no TSE (fotos abaixo). Vamos supor que apenas 10% daqueles candidatos tivessem sido eleitos em 2022...Ainda assim, seriam milhões de reais por ano. Nenhum candidato se elegeu, claro. Que conta Aldineia (que não é herdeira do partido)fez para não sair do prejuízo?
Corta para 2 anos antes: um conhecido de SP que circula na elite da direita me disse que uma turma de empresários estava fazendo (em OFF) uma vaquinha para juntar 100 mil reais e comprar o PRTB, para dar de presente para Bolsonaro, que não conseguiu criar seu próprio partido. Não sei se a informação procede. Não conheço nenhum empresário ricaço para me confirmar. O que posso afirmar é que um funcionário do partido me disse em 2022 que de fato eles estavam doidos para vender o PRTB.
Em 2023, houve uma convenção partidária que resultou no afastamento do irmão de Levi, Júlio Fidelix (um dos fundadores do partido), da presidência do PRTB, e Murad Karabachian assumiu a presidência interina. Quem definiu a escolha? Print abaixo.
Peço que compartilhem, já que muitas das minhas postagens não chegam aos meus seguidores.

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