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terça-feira, 3 de março de 2026

CPMI DO ROUBO DO INSS NO GOVERNO LULA

Ex-secretária aponta cofre de ‘Careca’ ao depor na CPMI

Aline Bárbara Mota de Sá Cabral, ex-secretária e braço direito do "Careca do INSS"- Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado.


Apontada como ex-braço direito do "Careca", Aline disse não se lembrar


A ex-secretária de Antonio Camilo Antunes, Aline Barbara Mota de Sá Cabral, admitiu nesta segunda-feira (2) à CPMI que investiga o roubo aos aposentados e pensionistas que teve acesso ao cofre do seu chefe, o “Careca do INSS”, mas disse que não se lembra de ter repassado dinheiro do cofre, por exemplo, ao motorista do principal acusado no escândalo. Aline foi secretária e, depois, gerente administrativa do “Careca do INSS”. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), lembrou dos relatos apresentados à CPMI segundo os quais Aline seria a responsável por separar esse dinheiro para que fosse destinado ao pagamento de propinas.

Alfredo Gaspar destacou em seu requerimenro que convocou a ex-secretária que, pelos cargos que ocupou quando trabalhou para o “Careca do INSS”, o depoimento dela seria importante para esclarecer como funcionavam as empresas de Antunes.

Aline afirmou desconhecer a origem dos recursos movimentados por Antunes, que, segundo ela, se apresentou como um “empresário de sucesso” quando a contratou.

— A senhora já retirou, alguma vez, dinheiro do cofre para repassar para esse motorista do senhor Antônio [Carlos Camilo Antunes]? — indagou Alfredo Gaspar.

— Pode ser que sim, mas eu não vou ter certeza. Eu não me lembro — respondeu Aline.

A depoente, apontada pelo relator como braço direito de Antunes, também afirmou ter acompanhado a compra, feita por Antunes, de um imóvel da publicitária Danielle Fonteles em Trancoso (BA). Mas Aline disse desconhecer o valor da operação e negou participação no pagamento, segundo informou a Agência Senado. Danielle Fonteles teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela CPMI em requerimento aprovado em 26 de fevereiro.

Aline afirmou que o acesso ao cofre da empresa lhe teria sido autorizado por Antunes para compras de “insumos para o escritório”. Ela disse não saber quanto dinheiro havia no cofre e que não anotava as retiradas.

A depoente chegou à CPMI amparada por habeas corpus concedido pelo ministro Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para garantir seu direito ao silêncio. No entanto, a secretária respondeu a várias perguntas. Alfredo Gaspar criticou o uso desse instrumento, e ressalvou que “mesmo um habeas corpus do STF tem limites” diante de questionamentos que não incriminem a testemunha.

— Nos meus 24 anos de Ministério Público, eu ouvi milhares de testemunhas. Sabe quantas chegaram com habeas corpus? (…) Na minha atuação como promotor, nenhuma. Mas nós estamos vivendo novos tempos no país — declarou o relator.

Casa em Trancoso

Ao ser questionada por Alfredo Gaspar se tinha conhecimento sobre uma casa que Antunes teria comprado de Danielle Fonteles, em Trancoso (BA), Aline disse inicialmente que preferia “não falar” sobre o assunto. Danielle atuou em campanhas eleitorais do PT. Após o relator questionar a depoente se “responder se um terceiro comprou imóvel de outro terceiro a incrimina”, ela respondeu:

— Eu tive conhecimento de que ele tinha comprado um imóvel, posteriormente eu fiquei sabendo de quem era, não sabia de quem era — declarou Aline.

Motorista

O senador Izalci Lucas (PL-DF) insistiu em perguntas sobre o dinheiro entregue ao motorista de Antônio Carlos Camilo Antunes. Aline negou ter feito repasses a terceiros, mas disse que retirava valores do cofre para que Antunes realizasse compras de materiais de escritório e itens como café. Segundo a depoente, as retiradas variavam entre R$ 500 e R$ 1 mil por vez.

Ao ser questionada sobre a emissão de notas fiscais, Aline afirmou que o controle disso cabia ao setor financeiro das empresas de Antunes, acrescentando que era o motorista quem “chegava com as compras”.

Cadernos

Durante seus questionamentos, Izalci Lucas mencionou cadernos apreendidos pela Polícia Federal com anotações de percentuais como “Stefa 5%” e “Virgílio 5%”, que, segundo ele, poderiam indicar divisão de valores no suposto esquema de fraudes. De acordo com o senador, as anotações fariam referência a Alessandro Stefanutto e ao ex-procurador do INSS Virgilio Filho.

Izalci lembrou ainda que Antônio Carlos Camilo Antunes teria afirmado à comissão que os cadernos eram de Aline. Questionada se tinha conhecimento desses percentuais, ela respondeu: “Eu vou ficar em silêncio”. Diante da recusa dela em responder, o senador reagiu, afirmando que “quem cala consente”. Ele fez um alerta, ressaltando que a omissão da depoente poderia prejudicá-la futuramente.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) questionou a postura da depoente diante das irregularidades investigadas. Ao mencionar os fatos já revelados pela investigação, perguntou se ela se arrependia de ter aceitado o emprego e de ter participado, mesmo que indiretamente, do esquema de fraudes apurado pela CPMI. Aline respondeu que sim.

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