Marco da orla, Casa do Brigadeiro resiste no "mar de prédios" em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife
Em meio aos grandes prédios da Avenida Boa Viagem, a Casa do Brigadeiro testemunha mudanças na via há 81 anos
Os oito quilômetros da Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, são tomados por um horizonte repleto de prédios que parecem não ter mais fim, não só para os lados, mas também para cima. Em meio às altas estruturas, uma das únicas casas na via resistiu ao tempo e virou referência mesmo “engolida” pela vizinhança, como mostram imagens do Diario de Pernambuco. A Casa do Brigadeiro, número 4.224, olha, de dentro de um mar de edifícios, diretamente para o mar da praia de Boa Viagem.
Aos 81 anos de existência, o imóvel insiste em mostrar como a Avenida Boa Viagem mudou ao longo da história, não só recifense, mas brasileira. A casa foi inaugurada em 11 de outubro de 1944, para ser lar do Brigadeiro Eduardo Gomes, que à época era Major-Brigadeiro-do-Ar da Aeronáutica. Recife, naquele momento, tinha uma importância mundial: era uma das bases estadunidenses na Segunda Guerra.
O Brigadeiro
O Brigadeiro Eduardo Gomes era carioca e nasceu em 1896. Ainda hoje, ele é lembrado pela participação na Aeronáutica e na política. A carreira foi marcada pelo envolvimento no Movimento Tenentista e na revolta dos 18 do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, sendo um dos únicos sobreviventes. Ele chegou à capital pernambucana em 1941, quando foi designado Comandante das I e II Zonas Aéreas, sediadas em Belém e no Recife, respectivamente, e se transferiu para a Terra dos Altos Coqueiros.
Em 1945 e 1950, ele foi candidato à Presidência da República pela UDN, mas não venceu em nenhuma das ocasiões, sendo derrotado por Vargas. O doce “brigadeiro” ficou conhecido pela patente dele durante a campanha, quando era vendido para arrecadação de fundos. Posteriormente, foi Ministro da Aeronáutica nos governos Café Filho e Castelo Branco.
Em 1964, participou do Golpe de Estado que depôs o presidente João Goulart. Vinte anos depois, em 1984, foi proclamado Patrono da Força Aérea Brasileira (FAB) por suas virtudes e dedicação à pátria.
Nicolle Gomes

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