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terça-feira, 20 de outubro de 2026

OPORTUNISMO ELEITORAL DE LULA

Governo Lula inventou e decretou aumento do Bolsa Família em 1 dia, apontam documentos internos

Cartão do Bolsa Família. (Foto: EBC).

Aumento foi anunciado em 17 de setembro, a 17 dias do 1º turno das eleições


Documentos internos obtidos pelo Estadão por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que a gestão de Lula (PT), candidato à reeleição, produziu em um único dia os atos necessários para o reajuste do Bolsa Família. O aumento foi anunciado em 17 de setembro de 2026, a 17 dias do primeiro turno das eleições.

Ofícios, notas técnicas e pareceres jurídicos foram elaborados em 16 de setembro — um dia antes do anúncio oficial. A documentação seguiu tramitação incomum na administração federal: em vez do sistema eletrônico habitual, os papéis foram impressos, assinados fisicamente e só depois digitalizados e incorporados a um processo eletrônico, no dia 1º de outubro (cerca de duas semanas após a publicação do decreto).

A medida usou o “procedimento excepcional” previsto no Decreto nº 12.002/2024, com autorização da Casa Civil, para preservar o sigilo durante a preparação. Em despacho, servidores do Ministério do Planejamento registraram que o caminho fora do sistema eletrônico se deveu “à necessidade de preservação do sigilo”.

O reajuste elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 (cerca de 15%, correspondente à variação do INPC desde a retomada do programa em 2023). O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027. Os pagamentos com os novos valores foram antecipados para antes do segundo turno, estratégia semelhante à adotada por Jair Bolsonaro em 2022.

O governo sustenta que se trata apenas de recomposição inflacionária, sem criação de novo benefício nem ampliação do universo de beneficiários, e que o custo foi acomodado com economias em outras áreas (incluindo redução de fraudes). A Casa Civil, procurada, ainda não se pronunciou sobre a tramitação dos documentos.

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